Arquivo de setembro, 2011

perdas

Publicado: 2 de setembro de 2011 em Uncategorized

Silêncio. Eu não sabia o que dizer. Talvez porque não houvesse nada a ser dito. Mentira. Na verdade, tanto precisava ser dito, tantas eram as palavras acumuladas, represadas querendo transbordar do peito, que eu não sabia nem por onde começar.

Olhava para ela de rabo de olho, sem querer dar o braço a torcer. Ela também queria falar, eu sentia. Estava apenas esperando por uma chance. E essa chance, era eu quem tinha de dar, mas não dei. Nunca dava, e meu coração diminuía cada vez mais. Eu era um monstro.

Não era pra ser assim. Em tese, não era mesmo. E uma sensação estranha pairava sobre nós. Eu deveria abraçá-la. Ela deveria ser a pessoa mais importante da minha vida naquele momento. E não era? Eu não sabia. Meus sentimentos estavam completamente confusos.

Não lembro direito o ponto em que as coisas mudaram, porque as coisas não eram assim tempos atrás. A gente se precisava. Eu mais dela que ela de mim, eu acho. E eu me perguntava o que havia se passado conosco para que tudo simplesmente se perdesse daquela forma. Eramos só nós duas sentadas naquela mesa. O silêncio constrangedor que tanta coisa queria dizer, interrompido apenas pelo barulho do biscoito que ela comia com desgosto. O mesmo desgosto com o qual eu a observava mastigar de boca aberta e com os lábios engordurados de manteiga.

Subitamente, bateu-me uma saudade de quando era ela quem resolvia todos os meus problemas. Hoje não dá. Eu cresci. Porra! É uma merda crescer. As crianças deveriam saber disso. E daí? O que elas poderiam fazer?

Aquilo não deve ter durado mais que 5 ou 7 minutos, mas o tempo parecia elástico. para mim eram 5 ou 7 horas que nunca acabariam. Todos os movimentos executados com cuidado. Tinha mais dedos que nunca nas minhas mãos. Saí de lá ainda sem dizer nada e fiquei mais triste ao pensar que, se aquela fosse a última vez que eu a tivesse visto na vida, nada havia sido dito. Seria tarde demais e as últimas palavras teriam sido palavra nenhuma. Chorei sozinha, por dentro, calada, porém, novamente não voltei atrás. Ou ali não haviam sentimentos, ou (como desconfio) havia sentimentos demais.

Anúncios