a cinta-liga

Publicado: 3 de junho de 2011 em Uncategorized

(sexo selvagem e sem compromisso)

Nunca imaginei que dona Angélica pensasse em sexo. Muito menos que falasse sobre o assunto ou  pior, que praticasse o tal ato. Mas a senhora que habita a casa em frente a minha, ela me enganou com sua cara de vovó da chapeuzinho vermelho. A mulher com aquele semblante enrrugadíssimo; com aquele sorriso de mulher recatada e bondosa. Jamais suspeitei quem realmente era antes de passar a observar mais através da janela de meus humildes aposentos.

 A estranheza dos atos da dita senhora foi notada quando um rapazola de uns 20 e poucos anos adentrou a casa dela num fim de tarde de outubro. O tipo era másculo, bonitão. Pensei que fosse, quem sabe, um neto seu. Porém, logo descartei a ideia, que me pareceu absurda, uma vez que a mulher, que se dizia viúva, não tivera filhos. Um afilhado, quem sabe? Doce ilusão.

Na porta, ela recebeu o garotão de forma dissimuladamente natural. Um abraço de avó saudosa. Com um gesto malicioso, convidou-o para subir. Deu uma risadinha, aumentando exageradamente as rugas ao redor dos olhos e da boca. Logo em seguida, entraram no quarto. Nesse momento, dona Angélica, distraída que era, esqueceu a cortina da janela de vidro aberta. Por um fresta pode-se ver muita coisa, e meus olhos míopes, porém atentos, viram até mais do que gostariam.

Vi metade do corpo decadente da viúva do doutor Crisálido. Um senhor clínico geral! Ela se aproximou do garotão, que esperava mal sentado na cama. A senhora estava com um roupão em estampa de rosinhas azul-celeste.  De repente, meus olhos não podiam acreditar no que presenciavam. A velha despiu o tecido felpudo que trajava e, embaixo dele, nada mais que uma cinta-liga. Isso mesmo. Uma cinta-liga. Vermelha com rendas. Diria sensualíssima se não vestissem as pernas enrugadas e magras de uma senhora idosa. Teria morrido de um ataque súbito, não fosse meu sempre forte e preparado coração.

O garotão passou a mão nas pernocas da desinibida senhorinha, que subiu na cama com gosto de gás. Fechei os olhos, pois me negava a presenciar a cena. Mesmo assim, não resisti por muito tempo. Aquilo era demasiadamente bizarro para não ser registrado. A curiosidade era maior do que meu desgosto. Voltei a abrir os olhos. Uma cena impagável. A sorte de minha inocência quase perdida foi que uma fortíssima rajada de vento fechou a porta da janela com força. Vai ver era o espírito do Dr. Crisálido. Decepcionada e ao mesmo tempo aliviada, desci e fiquei na calçada de casa a esperar, discretamente, pela saída dos “pombinhos”.

O jovem mancebo não passava de um michê contratado para fins não muito castos, diria. Só sei que, quando terminaram o serviço, a mulher era só felicidade. Não continha um sorrisinho maroto, deixando à mostra a falta dos dois dentes da frente. Nunca mais olhei dona Angélica da mesma forma. Ora, a velhinha gostava de sexo! SEXO! Sexo selvagem e sem compromisso.  

 

Anúncios
comentários
  1. Gisa Carvalho disse:

    Essa dona Angélica, viu?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s