Arquivo de janeiro, 2011

.SUA LINDA!

Publicado: 31 de janeiro de 2011 em Uncategorized

.nessa vida  que deus dá e tira, por mais que possam parecer iguais, os dias são sempre diferentes. acabam revelando pequenas surpresas, às vezes boas, noutras nem tanto assim. quando um dia é marcado no calendário como o dia do seu aniversário, em tese, deveria exalar uma aura diferente. ser mágico, sei lá.

.não sei se por conta da representação da passagem do tempo, do envelhecimento ou da aquisição (ou não) da tão falada experiência, os aniversários nem sempre são vistos de bom grado. ah, eu? eu já passei dessa fase de lamentar a quantidade do tempo que pesa nas costas e tratar de cuidar mais da qualidade dele. acabei temendo mais pelo proveito a ser tirado. já pensou em quanta coisa poderia ter sido feita em cada hora perdida? eu já. e não quero mais pensar nisso.

.sim. hoje é meu aniversário. são 22 anos. minha vó (se eu tivesse uma) diria dois patinhos na lagoa. assim soa melhor. dizem que sou nova, no entanto, ao olhar para trás (o que odeio, mas acabo fazendo), vejo que 22 anos é muito tempo. muito tempo e ao mesmo tempo não é nada porque parece que não deu tempo de fazer muita coisa. ainda sobra muito sonho nesse tempo aí. e o tempo que me resta (nem sei quanto é) parece também sempre curto demais…

.o tempo é uma coisa mesmo angustiante quando não se sabe lidar muito bem com ele. eu, por exemplo, até tento, mas sabe como é… vivo numa linha tênue. porém, depois de tanto pensar no tempo, penso em quanto tempo se perde ao tentar desvendá-lo. então, prefiro aproveitar aquele que ainda estar por vir.

.pego algumas pessoas, misturo-as e acrescento um pouco de dedicação. alguns chamam isso de perda de tempo. eu chamo de amizade. nesse “tempo perdido”, um certo “fermento” acaba agindo, a “massa” cresce e, quanto mais se alimenta dela, maior fica. parece mágica, não parece? e é. no entanto, para essa mágica não há segredos. apenas prática, paciência e a tal da DEDICAÇÃO. acho que ando aprendendo durante os últimos tempos. “tempos perdidos” sem arrependimentos.

.são 22 anos. disso eu sei. mas minha memória não é tão boa assim. em certos casos, é até bom. deletei alguns momentos. outros estão quase esquecidos. são apenas resquícios, imagens borradas no fundo da memória.  mas há alguns tão vivos, que faço questão de cultivar em terreno fértil. penso neles sempre que posso. é a garantia para nunca esquecer. mesmo flashes de filmes tristes tem de ser guardados às vezes para nos guiar quando não soubermos o que fazer.

.descobri que perder tempo com algumas “coisinhas” é essencial para aproveitá-lo melhor. foi assim que disse a mim mesma: escute os mais velhos. descubra-se e aceite quem é (sua família faz parte disso).  pegue mais, cheire mais. pense menos. saboreie. crie. chore na medida certa. ame sem medida. tenha um passatempo que te faça sorrir e amigos de todas as horas. perdoe. liberte-se. não julgue. não se reprima nem oprima. e se um dia enjoar de si, se doe para alguém. sou totalmente contra o desperdício.

FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM, SUA LINDA!

.príncipes.

Publicado: 31 de janeiro de 2011 em Uncategorized

.ele não entendeu que eu não queria que ele dissesse que eu era bonita. não queria que ele dissesse que meus olhos verdes eram lindos, mas sim que gostava do meu olhar perdido no dele. precisava apenas falar que achava sexy o balançar dos meus cabelos no vento e que minha boca tinha um gosto bom de alguma fruta. morangos, quem sabe.

.não queria parecer a mulher mais bonita de lugar algum nem ser desejada por todos. queria ser apenas desejada por alguém. por favor, não fale que eu sou linda, diga que eu sou interessante. você não me conhece mesmo, não é verdade?

.você errou em todos os quesitos, mesmo assim gostei de você. “o que é errado sempre me atraiu muito”. vai enteder! não. não entendo. nem quero. também não quero mais você. sei que mudo de ideia muito rápido, mas é que cansei desse joguinho besta. disseram-me que eu não gostava de ninguém. vai ver é verdade. ontem só queria brincar. hoje não estou mais afim não.

.será que isso passa? quem sabe esteja faltando a pessoa certa, sabe? aquela que na verdade é a errada mas que a gente pensa que é certa. aquela que faz tudo virar de cabeça pra baixo e faz a gente não ser mais a gente. se essa pessoa (a qual muitos denominam de príncipe) existe, não sei. por enquanto, me entretenho com os bobos da corte, mas eu enjôo rápido. essas coisas são assim. se isso mudar, bem. se não… também não vai ser tão ruim assim.

.hoje é meu aniversário. não me contradiga. são 23, ou seria 87? que idade você quer, a corpo ou da alma? um presente? já disse que não quero mais você. mas de vez em quando, eu mudo de ideia. quem sabe amanhã. só não fale que eu sou linda tá? interessante, entendeu? IN-TE-RES-SAN-TE!

.somos egoístas.

Publicado: 24 de janeiro de 2011 em Uncategorized

.tentemos ser sensatos pelo menos uma vez na vida. somos ou não somos egoístas? sim. todos somos. eu e você não escapamos desse mal. é realmente mal? por que escaparíamos? eu te amo, você me ama e o amor é egoísta. você se tornou meu objeto, e da mesma forma que odeio que usem minhas roupas, não empresto você a ninguém.

.mas é engraçado. às vezes a gente sente necessidade de ser emprestado, sabe como é. assim eu faço com você, implorando para que me deixe um pouco de lado. preciso respirar. no entanto, há momentos em que eu sinto raiva. por que você sempre atende aos meus pedidos? a verdade é que eu acabo sentindo falta de ser um objeto seu, fruto do seu amor egoísta.

.quando você fica doente e eu corro para a sua casa para lhe fazer um carinho, dar comida e tentar fazer passar a sua dor, no fundo faço isso por medo de perder você. porque se isso acontecer eu fico mal. eu morro. no fundo, estou pensando só em mim.

.assim é com você quando você vai me buscar do outro lado da cidade só para eu acompanhá-lo naquela festa chata. por quê? porque você não quer fica sozinho, entediado. você precisa de mim para se distrair. e eu vou, porque também não ia fazer nada em casa a não ser ficar pensando em quantas meninas dariam em cima de você, e você sabe que eu não divido nem empresto você a ninguém.

.vou lhe confessar uma coisa: só não o abandonei porque, apesar de tudo, você me faz bem. sei lá. é uma coisa que sinto quando estou com você que me dá saudade quando vai embora. mesmo quando fico com raiva, querendo matá-lo e dizendo que tudo acabou, logo, logo vou sofrer. vou procurar outra pessoa, mas no fundo, estarei procurando por você e não vou achar. sentirei a sua falta. aí perco minha dignidade e peço perdão. quem ama não tem dignidade, meu amor. nem você tem, tanto que me aceita de volta. acho que vamos acabar indo juntos para o inferno.

.sabe que se um dia eu enjoar de você e acabar tudo de novo, vou continuar sentindo como se você me pertencesse? se alguém chegar perto de você vou ficar possessa. vou odiar você e a ela. eu mataria por amor. nem sei se depois eu continuaria do seu lado, mas é que eu não suporto ver o que é meu com ninguém.

.andei pensando. quero um filho seu, só para poder ficar certa de que vou ter um pedaço de você pro resto da vida. você tá me ouvindo? porque eu odeio quando você não me dá atenção. preciso que você seja meu, seu ouvido seja meu, sua boca seja minha, que você olhe só para mim. só para mim, entendeu?

.quero que você faça tudo do meu jeito. não vou ceder. só quando for necessário, estratégico. às vezes a gente tem de fingir um pouco. quero que você me agrade sempre, esteja aqui para enxugar as minhas lágrimas e para me acalmar quando eu tiver meus ataques histéricos. ah, e por favor, perdoar, meus barracos por puro ciúme. você sabe que eu gosto de tomar conta do que é meu. sou egoísta. somos egoístas. ponto final.

.qual o seu sonho?

Publicado: 20 de janeiro de 2011 em Uncategorized

.o sonho de alice era saber para onde ia o coelho. o de antônia era apenas deixar de ser ninguém. em meio à embriaquez (provocada não se sabe se pelo excesso de vinho ou se pelo cheiro da parafina queimando) e aos risos descomedidos, ouvi falar de muitos sonhos. era como uma enorme e coletiva confissão. quer conhecer alguém? descubra quais são seus sonhos.

.a sobrinha de pedro queria um cachorro para chamar de bento. tal qual chico bento que ela tanto lia nas revistinhas. dora tinha o sonho de ser roteirista de cinema. eu? eu queria tocar piano. mas, meu problema é que nunca fui pessoa de um sonho só. meus sonhos são tantos que nem dou conta de todos. às vezes até esqueço. ah, sim. queria comer um croissant em um café de montmartre.

.joão queria poder ver em preto e branco. já léo, queria poder ver colorido. alguns querem apenas serem vistos tal qual são. deveria ter um óculos especial para essas coisas…

.ouvi chris desejar um quarto todo vermelho. martha, um gato preto. beto quis comprar uma boneca de louça. sim, beto. um menino chamado beto, mas ele desistiu. ia dar muito problema. problema por uma simples boneca!

.clara queria fazer luta greco-romana. elizabete queria ser magra e a dona carmem ter um marido romântico. sofia queria apenas um marido. não tinha muita exigência não. mas ser beijada na chuva também tinha suas vantagens.

.a mãe da carol queria uma casa na praia. carol queria a mãe de volta e que o pai deixasse de bater nela. ivna queria um peixe de aquário, mas isso ela conseguiu semana passada, depois de muito chororô. também já consegui muita coisa assim, afinal, quem não chora não mama.

.carlos queria voar. ah, eu? eu também já quis escrever um livro. ser, escritora, quem sabe. mas acho que não dou pra isso não. quem sabe tânia não consiga ser bailarina? acho que leva jeito. porque o diogo vai ser vocalista de uma banda rock progressivo e ninguém nem dava nada por ele…

– bom dia, meu amor – falou com sotaque pernambucano para acordar seu amor que ainda dormia apesar do alto das horas.

.não, não. era:

– bon jour, mon amour. eles estavam em um pequeno quarto de hotel em paris.

.engraçado esse sonho do bruno de ser acordado com um sotaque diferente do seu…

.versos perdidos.

Publicado: 17 de janeiro de 2011 em Uncategorized

.a chuva umedece a calçada. sobre ela, jambos despedaçados. um moreno cor de jambo. não sei porque essa fruta me lembrava a infância. coisa rara que não se encontra para vender. tem-se que colher no pé. as flores pintam o chão de rosa.

.dia chuvoso é uma nostalgia só. a lembrança de um guarda-chuva compartilhado; de um beijo sob os fios d’água molhando nós dois. a menina me trazia à memória a felicidade dos banhos de chuva só permitidos na infância.

.de manhã cedo a quentura do café reconfortava a garganta e a xícara morna acariciava minhas mãos. na chuva, melhor do que o calor do café são os lábios febris de uma antiga paixão. porém, hoje, me restava apenas o passar rapidamente sob a água que vinha do céu. meus compromissos de gente grande me faziam deixar perdidos pelo caminho uns versos que vivi. será que algum dia aguém recolheria esses versos? não se sabe. nunca se sabe. continua-se a vida com muitos poemas incompletos. versos meus. versos teus. apenas versos.

.alguém me pergunta:

– é chuva?

– hunrum.

– e tá chovendo água?

– pois é. bem que poderia tá chovendo dinheiro… ou amor, quem sabe.

.até o último instante.

Publicado: 11 de janeiro de 2011 em Uncategorized

– ei! eeei! espera ai!

– opa! em que posso ajudá-la?

-você viu o amor passar por aqui?

-o amor? não sei quem é não. se passou por aqui, não me dei conta. sinto não poder ajudá-la.

– ahhh. que pena! obrigada. vou ficar aqui esperando mais um pouco.

– melhor sentar. é meio difícil reconhecer alguém por aqui. acontece tudo muito rápido. sabe como é, né?

– humrrum. obrigada de novo.

.o camarada saiu sorrindo entre a multidão sem respondê-la ou dizer adeus. simplesmente se foi. era assim com aquela gente toda. no vai e vém da noite. as luzes coloridas se misturando. os movimentos congelados em breves flashes in-can-des-cen-tes.

.de repente tudo ficava mais sonoro. ela podia escutar as risadas, os sussuros de prazer no ouvido de estranhos. uma mão na sua coxa esquerda. sorriu.

– não tô afim.

.e tá fazendo o quê, sentada aí enquanto todos estão se divertindo?

– esperando.

-esperando o quê?

– o amor, ora.

– e quem é esse? marcou alguma coisa?

– não.

– então por que esperar por quem não ficou de vir? vamo dançar, sua boba.

– tá bom. vamos nessa! mas… e se ele passar por aqui e a gente não vê?

– ninguém nunca vê. a gente sente. não tá sentindo agora? porque eu tô vibrando aqui. posso até ouvir o som das suas pálpebras batendo enquanto você pisca aceitando o meu convite pra dançar.

.ela sorriu. levantou-se devagar. o desconhecido a envolveu pela cintura e a conduziu até um lugar minimamente habitável.

– tá sentindo pulsar aí dentro?

– parece que vai pular junto com a música!

-seu cabelo tá roxo. gostei do seu cabelo!

-gostei da sua boca. ela se move tão de-va-gar… quero um beijo…

– vai em frente.

.fechou os olhos e o beijou sentindo o gosto de cada parte da sua boca. o doce da ponta da língua. a saliva viscosa de canela. o céu da boca era aniz. o mundo girava. era engraçado sentir a instabilidade a seus pés.

– eu vou voar!

. ele soltou uma risada descomunal.

– que linda andorinha você é, moça!

– é tão bom sentir que podemos voar por um instante!

-é… que pena…

– por quê?

-vai acabar. sempre acaba.

– e daí? se acaba, vamos aproveitar então!

-até o úl-ti-mo instante…

.joão que queria ser john.

Publicado: 9 de janeiro de 2011 em Uncategorized

– e ai, joão? como é que anda a força? senta aí, cara.

– a força? não anda, meu amigo. estou aqui, sobrevivendo.

.joão senta no balcão junto a roberto, a quem conhecera ainda de cabelos longos, na faculdade de engenharia.

– por que esse pessimismo diante da vida, meu camarada? nem parece aquele cara divertido e cheio de gatas que eu encontrei na universidade…

– porque esse já não sou mais eu, roberto. não sou mais aquele jovem. ele ficou no passado. mais precisamente há 32 anos daqui. quando me tornei um construtor de casas com mulher e filhos.

– mas você me parecia tão feliz quando casou.

– sim. me casei por amor. mas o tempo passa. infelizmente, o tempo passa. e eu? o que eu fiz? me ocupei em construir a vida dos outros e esqueci de construir a minha. a sônia me deixou há 7 anos. meus filhos se casaram e não lembram nem mesmo que têm pai.

.o barman pergunta o que querem beber. joão acompanha o amigo no uísque. duplo. amargo. sem gelo.

– que dureza, meu amigo… que dureza…

– não aproveitei nada, roberto. naquela época eu só queria tocar meu violão, deixar que as garotas pegassem nos meus cabelos nas noites de luau. quem sabe um dia ser chamado de john do alto de um palco em nova jersey? eu queria morrer antes de ficar velho, roberto. melhor que ser um morto em vida. e aqui estou eu, com 57 anos, aposentado, com enfisema e sozinho. prazer, esse daqui é o novo joão. joão como qualquer brasileiro que passa por essas ruas e que frequenta botecos imundos feito esse.

-joão pega melancolicamente o copo de uísque, sorve todo o líquido de uma só vez. ao final, inevitavelmente sua face, já castigada pela idade e pela doença, transforma-se numa careta.

– mas você está aperreado, precisando de dinheiro?

– dinheiro? ah, eu já tive um bocado, meu amigo. de que me serviu? ontem estava no banheiro e me peguei pensando em lúcia. me masturbei pensando nela. nos seus cabelos encaracolados e ruivos e nas sardas miúdas que estampavam seu corpo, dos pés a cabeça. por que me faltou coragem de roubar lúcia pra mim? de colocá-la naquele opala azul que herdei do papai e me perder no mundo? deixei que ela pensasse que não a queria. só porque estava casado e a sônia esperava nosso primeiro filho. se eu tivesse fugido com aquela mulher…

– provavelmente estariam mortos. não sabe que ela morreu em um acidente de carro em 1978?

.joão baixa a cabeça e lamenta.

– é. eu soube. lúcia. ah, lúcia. mas poderia ter sido diferente. imaginei a gente chegando na califórnia. tocado em los angeles. fumando um baseado na praia, pra relaxar. ela passando a mão nos meus cabelos. eu cantando a música que fiz para ela no primeiro ano da faculdade. lucy* no topo das paradas. nossos filhos sardentos…

– não sei o que dizer, meu amigo. você não foi covarde. apenas não foi egoísta.

– droga de pensar nos outros! alguém por acaso pensou em mim? sônia, aquela mulher sem coração! pensou em mim, aquela vaca? você, roberto? pensou em mim quando roubou minha família? ainda vem aqui me chamar para sentar e beber com você…

– joão… você sabe que eu nunca quis… sempre amei sônia. também nunca deixei de estimar você.

-estima é o cacete! mas deixa pra lá. eu já tô fudido e mal pago. e você vai pagar esse uísque vagabundo. o dinheiro é meu mesmo… ah, é tarde demais para descobrir que a vida é curta; que eu deveria ter feito mais sexo com estranhas. que eu deveria ter torrado mais meu dinheiro com prazeres só meus antes de ter de entregá-lo para minha ex-mulher. que eu deveria ter amado lúcia. feito um filho nela. uma menininha sardenta nascida na califórnia.

– e quem me garante que com a lúcia teria sido diferente?

.o olhar de joão se perde no infinito.

– a gente não sabe. nunca se sabe como será. a gente supõe e pronto. nada é certo nessa vida. mas é que há um consolo em pelo menos imaginar que se poderia ter sido feliz de alguma forma… eu, lúcia, a praia. agora só me resta pensar em lúcia enquanto vou ao banheiro.

*referência à canção lucy in the sky with diamonds, dos beatles.

.encontro marcado.

Publicado: 7 de janeiro de 2011 em Uncategorized

.era a quarta vez que o via em quase três anos. a primeira fora no dia do meu aniversário de 19 anos. a outra, apenas um ano depois. esses encontros esporádicos pareciam coisa marcada por um destino que brincava com a gente. agora eu reclamava por um diálogo, como se três anos tivessem me dado o direito de exigir coisas. por quê ele não falava comigo? por que apenas me olhava? senti raiva dele.

.eu sabia que havia interesse em seu olhar. desde a primeira vez, quando seus olhos me acompanharam durante aquele breve percurso, senti as pernas tremerem. ah, mas eu não sabia sequer seu nome… nem mesmo ele sabia o meu. não fazia ideia de onde vinha, quantos anos tinha. só sabia que era ele. todas as vezes que o vi, apesar do grande espaço de tempo, sabia que era ele. era como se o seu rosto tivesse sido tatuado cruelmente na minha memória para que eu lembrasse para sempre que era ele. era ele quem eu queria.

.não podia ser coincidência. não, deus. não podia. porque eu tinha certeza que ele também lembrava, pois continuava a me encarar com o mesmo olhar se sempre. por que ele era tão covarde? por que eu era tão covarde? ei, vem aqui, fala comigo. não vai embora. você não vê que a probabilidade de nos vermos novamente diminui a cada encontro? não sabemos quando nos veremos de novo. nos veremos de novo?

.era incrível como a aquele estranho me parecia tão conhecido. comopodia ele, um simples desconhecido, mexer comigo daquela forma? eu tinha de ir embora. não poderia esperar por ele para sempre. perguntava-me o que eu diria, o que diríamos. ah, se eu tivesse coragem de chamá-lo para um café. quem sabe se eu estivesse bêbada.quem sabe? será que ele já tem alguém? será? por que olha tanto assim pra mim? não pode ter ninguém. já é meu. deve de estar escrito em algum lugar. tem de estar.

.fui embora sob o céu cinzento daquela tarde chuvosa. meus olhos rasos d’água pelo estranho que era meu. o coração de repente se inundava de uma emoção que, apesar de conhecida, assustava. subia até a garganta e dava um nó tapando a respiração. passou por mim pela última vez e meu pobre coração fazia tanta festa. era como se dançasse soltando serpentinas de alegria. mas agora, quando fui embora, ele parou, quieto. inerte. por que aquele estranho tinha o poder de controlar meu coração? quem era aquele estranho, meu deus?

.pensei então se sentiria a mesma coisa se nos conhecêssemos; se finalmente ouvisse a sua voz. o que seria de nós? acabaria tudo? talvez fosse apenas a mágica proporcionada pelo que não se conhece. talvez perdesse a graça. talvez não. vai saber… como saber? tarde demais. quem sabe no próximo encontro…

.um brinde.

Publicado: 2 de janeiro de 2011 em Uncategorized

.três passageiros partem rumo a um ano incerto. opa. três não. quatro. ele chegou de mala e cuia com as passagens. surpresa boa. não importa a demora, muito menos o destino ou instalações. quem precisa do resto quando se tem amigos?

.lamentam a falta de alguns componentes, mas é assim. nem sempre podemos estar todos juntos. no entanto, lembranças não faltaram. em pensamentos, comentários, mensagens via celular ou internet, eles estavam lá.

.o fim de 2010 brinda-se com caipirinha. bebida meio azeda, meio doce, assim como o ano que se vai. adeus anos velho. e eles ali, apesar de se maldizerem do ano que se acabava, viviam suas últimas horas com intensidade, saboreando cada gole.

.promessas e simpatias são muitas. as desilusões do ano que passou fazem negar o amor, no entanto, é sempre desejado. seja erótico ou romântico, ele está nos brindes de ano novo. sete ondas puladas. abraços, champagne. sucesso e dinheiro em 2011 que chega com a força e potência de Mercúrio.

.abraços e beijos na praia às escuras. água gelada que banha os pés. subiram a ladeira do ano que se inicia. no pain, no gain. e assim seguiram. três dias. dormiram juntos, comeram, riram, sofreram e, principalmente, amaram juntos. amigos não tão sóbrios. amigos fortes. cada um na medida que mantém um equilíbrio.

.vodca, cerveja, vinho, champagne, martíni. mais caipirinha. músicas cantadas junto na calaçada sob um céu estrelado. confidências trocadas, planos feitos, sonhos desenhados. 2011 engatinha ainda meio desengonçado. de volta, os companheiros de três dias de uma vida toda sentem-se mais fortes. prontos para mais uma batalha. pra fazer o ano completar sua breve existência com a força das decisões tomadas, das intenções realizadas e do dever cumprido. tudo com a emoção e a intensidade que a vida merece. um brinde!