Arquivo de novembro, 2010

.céu cinzento.

Publicado: 30 de novembro de 2010 em Uncategorized

.como se diz aqui na minha terra, hoje tá um dia bonito pra chover. e todo dia assim me lembra uma infância perdida onde se contavam histórias. pois bem. contarei uma no meu dia cinzento que brinca de “chove e não molha”  só pra gente ficar nessa esperança boba de poder sair e tomar banho de chuva.

.por falar em dia cinzento, vou contar a história da moça que nasceu em umas terras muito boas. pelas bandas do cariri. assim que a  mãe da menina flor a teve, em uma casa simples de juazeiro, não resistiu e faleceu. o pai, seu Irinaldo passou a cuidar sozinho da menina. dela e de suas duas outras princezinhas.

.seu Irinaldo não se casou novamente, dedicando-se totalmente ao trabalho de comerciante de dia. de tardezinha, ele fechava o seu mercadinho e ia pra casa, cuidar das meninas que havim voltado há pouco dá escola.

.quando tinha por volta de 7 anos de idade, flor, com seus cabelos muito castanhos e encaracolados ficava olhando suas irmãs mais velhas por detrás da porta do quarto. elas suspirava como se estivessem em uma crise de asma. mas, elas não eram asmáticas, afinal. elas escreviam em seus diários durante toda a tarde e os carregavam como se fossem tesouros. que curiosidade ela tinha em lê-los. no entanto, prometeu a si mesma que nunca ficaria que nem as irmãs feitos umas tontas falando sobre garotos, casamento e filhos.

“não quero me casar e nem ter filhos. quero ser cientista e não ficar com essa cara estúpida das minhas irmãs, ou chorar pelos cantos feito papai”, pensou. no entanto,  pensou alto demais e seu pai, que acabara de chegar, havia escutado as palavras duras de sua caçula. ela se assutou ao ver o pai, que deixava rolar lágrimas discretas pelas bochechas magras. a mãozinha morena de flor tentou apagá-las. “desculpe, papai. não era isso que eu queria dizer. eu…eu prometo que vou casar sim e ter filhos que nem a mamãe.” ele se levantou e fez sinal que sim com a cabeça.

.naquela noite, flor pegou um caderninho esquecido na estante da sala e o tomou como seu diário. lá, escreveu uma única página que dizia assim:

.querido diário,

.não tenho nenhuma confissão a fazer. deixo aqui apenas a minha promessa. já que tenho de casar, apenas me casarei com um homem que tenha olhos cinzentos como o céu que hoje está sobre nossas cabeças.

A partir daí, dois finais eram possíveis…

1- Final feliz

.assim, sem conhecer nenhum homem de olhos cor de cinzas, flor seguiu sua vida normal até chegar aos 73 anos, quando morreu rica, virgem e sem filhos por conta de intoxicação por um novo composto químico descoberto por ela e que mais tarde ajudou a compor o medicamento que aumentou a expectativa de vida de  milhões de pessoas contaminadas pelo HIV.

2- Final Triste

. aos 23 anos, flor conheceu um forasteiro vindo das bandas de Sergipe. ela não tinha notado até enxergar, sob um ingazeiro, que seus olhos brilhavam como prata. sim. existia gente de olhos prateados. apaixonou-se perdidamente e cumpriu sua promessa. teve 3 menininhos. todos três com olhos cor de prata e cabelos cachedos. seu marido foi embora com a filha do leiteiro e ela gorda e com osteosporose morreu aos 73 anos por conta de um enfarte do miocárdio. seus filhos venderam as propriedades da família e foram torrar o dinheiro nos Estados Unidos de Sobral

FIM

.assim terminou mais uma dessas história contadas sob um céu cinzento. pena que, mais tarde, ele não estará mais assim.

.canções de ninar.

Publicado: 29 de novembro de 2010 em Uncategorized

.acordei com um som conhecido. canções esquecidas em minha memória infanfil. será que estava sonhando? sonolenta, ainda sem a noção entre o real e o onírico, abri os olhos e apurei os ouvidos. era mamãe que cantava canções de ninar.

.quantos anos faz que não ouvia aquelas canções? lembro-me bem de estar sentada em seu colo. ela pra lá e pra cá na cadeira de balanço da vovó. nosso contato íntimo. mãe e filha. deveríamos ter permanecido assim, como num retrato. impossível.

.lembro das lágrimas rolando sobre minhas bochechas. lágrimas que demonstravam a minha sensibilidade precoce à historiazinha do canarinho cinzento que morria no alto da serra. ou, à do galinho que se perdia de Lalá.

.ah, mas a criança do colo de mamãe agora era outra. cresci. cresci e, como é duro crescer. há momentos em que tudo que eu queria ser era aquela criança de imaginação fértil sentada no colo de sua mãe. pegando no sono ao balançar da cadeira.

.olhei para aquela meninazinha de cachos dourados que me sorria, falando pelos cotovelos. olhos grandes e azuis de curiosidade. fiquei pensando em como o tempo passa. de repente, aquele bebezinho que peguei no colo, que alimentei, com quem brinquei e a qual mal conseguia me chamar de titia, era uma menina falante e sapeca. sorri. o tempo é engraçado.

.é engraçado e, ao mesmo tempo cruel. passa rápido. apaga certas marcas, mas deixa outras, denunciando que já vivemos muito ou não vivemos nada. o pior de tudo é isso. ter passado tanto tempo sem que não tenha passado nada. estagnação. ao pensar nessa palavra, sinto um calafrio subir espinha acima. uma dor pela ausência de algo que não sei bem o que é.

.ultimamente tenho sentido o mundo sem graça. parece pálido e sem cor. será que fiquei velha demais para ver o mundo como ela?  as conversas são superficiais e não tenho paciência para elas. ninguém parece me entender por aqui. cadê o movimento do mundo? onde estão os pensamentos que me empolgam? queria discutir algo, amar algo, sonhar com algo. nada. nem isso.

.o futuro parece não ter segredos a revelar. no entanto, o temo. temo justamente a possibilidade de que não seja diferente do presente. preciso de um emprego, de pessoas e de um lugar. preciso mesmo? sim, preciso.

.as pessoas são espectros vazios de alma e mente. pareço sempre estar falando sozinha. e estou. nenhum lugar me parece interessante. ninguém advinha meus pensamentos ou me lê com um simples olhar. ninguém me fez uma surpresa ou me levou pra um lugar secreto. ninguém me ofereceu seu coração. de repente, lembrei-me de que não afereci o meu também.

.tudo igual.

Publicado: 28 de novembro de 2010 em Uncategorized

. as coisas pareciam ter voltado ao normal. no apartamento de cima, a dona catarina gritava com o marido que acabara de chegar bêbado: “seu cabra semvergoim. eu devia era ir mimbora pra tu ver o que é bom. te deixar com a tuas raparigas!” nesse meio tempo podia-se escutar o barulho dos bibelôs de porcelana se espatifando contra a parede.  ela então sorriu e continuou a se arrumar pra sair.

.fechou a porta. na calçada, a filha mais nova da vizinha permanacia sentada. por detrás dela, a mãe, gorda e suada, catava os piolhos da menina que choramingava. “engole o choro, menina. táqui. achei mais um”.

.no batente da esquina, o mendigo deitado. a garrafinha de cachaça do lado. meia tangerina descascada do outro. mais um café da manhã. engoliu em seco e continuou. estava tudo nos conformes. tudo muito conhecido. hoje poderia ter sido ontem, ou anteontem. os dias eram iguais.

.a senhora cega tentando entrar no ônibus que não parou. ela xinga o motorista. pra quê? pra quê? vai-se um, vem outro. e aqui estamos nós de novo, na mesma ladainha. na mesma calçada. é o mesmo cenário. tudo como sempre foi.

.de repente, tirou o sorriso da cara. o sorriso de sempre. deu-lhe um embrulho no estômago. um nó doido. sentou na parado do ônibus. o cansaço batia. o marasmo de sobreviver. não tinha mais estômago para aquilo. sabia o que encontraria mais adiante e não queria mais. não aguentaria mais…

.naquele dia, fezdiferente. sentada  ali, deixou o trabalho esperando. deixou o tempo passar. afinal, era como se não passasse. amanhã seria tudo igual? ah, porque ainda resistia ali dentro, lá no fundo, aquela pontinha de esperança, quando seria bem mais fácil desisitir?

.do amor e seus desencontros.

Publicado: 26 de novembro de 2010 em Uncategorized

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história. (C. D. de Andrade)´

.a história soou familiar? a pergunta é quase que inevitável: por quê amamos quem não nos ama e vice e versa? a resposta é: eu tenho cara de psiquiatra, por acaso? ora, se eu soubesse, além de rica, estaria com alguns exemplares de reserva (se é que vocês me entendem).

.não sei. parece coisa se atração pelo proibido. a pessoa não te dar a menor bola. para você, que adora um desafio, conquistar o rapaz é questão de honra. vamos para o velho e sem regras lóvegeime!

.quanto mais o dito cujo deixa você esperando, desmarca ou esquece de atender o telefone, mais você se apega. estão se identificando? sim. vocês já viram essa cena antes. todos nós vimos ou veremos. pois bem. você vai se apaixonar por esse indivíduo, mesmo que você relute e diga que é só pra preencher mais uma letra na sua lista de “já peguei”.

.ao mesmo tempo, o outro fulano passa noite e dia lingando pra você, te adulando pra tomar nem que seja um café, um sorvete, qualquer coisa que faça ele te ver por alguns minutos. você, munida de todas as desculpas esfarrapadas, dispensa o coitado quantas vezes por preciso. você brinca também com o pobre. dá algumas esperanças, que é pro caso de precisar dele algum dia. quando tiver na fossa, quem sabe.

.já o outro, ele de deixa vários dias em banho-maria. você sofrendo largada no mundo, achando que a vida acabou e que ninguém te ama, ninguém te quer e que você vai morrer. basta um telefonema do indivíduo pra você reacender a chama da vida, se emperequetar toda e passar uma tarde de puro amor e romance. vocês dois de mãos dadas. você crente que ele vai te pedir em namoro.

.de repente ele segura a sua mão, olha nos seus olhos e sorri:

– linda, tenho que te dizer uma coisa. o problema não é com você, é comigo. você é perfeita, mas não dá mais pra gente ficar junto. descobri que ainda gosto da minha ex e a gente voltou.

.você tenta fazer aquela cara de que a revelação não fez nem cosca no seu juízo e diz:

-tudo bem. espero que você seja feliz.

-podemos ser amigos?

-claaaaro. (bem doido ele não?)

– posso te pedir um beijo de despedida (pense na cara de pau do indivíduo. ele mereceia era um tapa de despedida).

– claaaro (pra dar bandeira de que ele significa alguma coisa pra você).

.vocês se beijam. foi triste. um beijo insoso e mecânico. de repente te deu uma ânsia de vômito. um engulho. que nojo! cada um vai pro seu canto.

.no outro dia você vê ele com a outra e ele ainda tem a cara de pau de acenar pra você e lhe apresentar, com o maior sorriso cara de pau, a namorada. você finge, sorri e chega em casa querendo matar e morrer. alguns dias de fossa e ataques à geladeira e você tá pronta pra outra. FIM.

. é isso. essa é mais uma história baseada em fatos reais de todos nós. agora não me peçam pra explicar porque. quem inventou essas histórias de amor deve saber mais que eu. agora, só nos resta saber se um dia a coisa vai ser recíproca. e só tem uma forma de saber. tentando. e o bom disso tudo, é sair tentando por aí, não concordam?

.ps: especialmente dedicado à @carvalhogisa e @hugorenan

.nós, os diferentes.

Publicado: 24 de novembro de 2010 em Uncategorized

.há pessoas que passam a vida inteira querendo ser diferentes. rebeldes sem uma causa lá muito bem definida. querem quebrar as regras do mundo pelo simples gosto de fazer o contrário do que se encontra pré-estabelecido. por outro lado, existem aqueles que, já fora dos padrões, passam a existência tentando convencer as pessoas ao redor de que são indivíduos normais, centrados e impecáveis.

.sempre fui das que faz parte do mundo dos doidos varridos. dessas de conversar consigo mesma, mas com o grande diferencial: de vez em quando, me pego pensando em francês, e, às vezes, até em espanhol. o problema é quando, distraída que sou, acabo saindo dos meus pensamentos e respondendo ao caixa da padaria com um “merci”.

.sempre fui apaixonada pela lua, de uma forta tão extrema que, perigava me estatelar no chão, de tanto olhar pra cima, ao invés de “olhar por onde andava”.  um dia até encasquetei que queria porque queria estudar astronomia. mal sabia eu que astronomia tinha muito mais a ver com matemática e física do que com a lua e as estrelas. deixei pra lá.

.porque eu tenho umas modas interessantes. no mínimo esquisitas. do dia pra noite eu resolvo que quero um cachorro. não me aquieto enquanto não comprar um. dia desses eu queria pintar meu cabelo de ruivo. ainda bem que desisti a tempo! já pensou? tem horas em que o bom senso me falta. hm… agora vou andar de patins. ontem eu queria lutar boxe tailandês. vê se pode um troço desses!

.o que nunca me deixou foi essa minha mania de pensar demais, ser distraída. de imaginar coisas, de observar outras de forma diferente. descrever ações, pessoas, ambientes. criar diálogos. é como se tudo que eu visse fizesse parte de um grande e interminável livro. qualquer coisa, por mais ínfima que pareça, merece minha atenção. só não eu mesma.

.de repente, me pego observando a mulher gorda e ruiva sentada ao meu lado. ela rói as unhas e tenta arrancar as cutículas com os dedos. no que ela está pensando? isso é tão importante pra mim naquele momento, que é bem provável que eu perca a parada do ônibus. será que eu realmente estou no ônibus correto? ei, tem algum diagnóstico pra essa patologia?

.sou um bicho mesmo estranho. se eu pudesse não ser eu mesma por um dia, e me observar assim, de longe, acharme-ia estranha também. mas sabe que eu sempre fui apaixonada pelas diferenças, por essa capacidade que todos temos de ter uma coisa escondida? um simples detalhe que nos diferencia dos demais e que nos faz unicamente apaixonantes. sempre gostei da beleza do mistério. da nossa incapacidade humana de não saber de tudo. da possibilidade constante de encontrarmos coisas novas perdidas por aí, de sermos surpreendidos pelo inesperado. viver é uma coisa deveras excitante.

.a mulher e o amor.

Publicado: 18 de novembro de 2010 em Uncategorized

.a lua estava ali. não era cheia, mas encontrava-se suspensa, linda e brilhando no nosso céu. caminhávamos e ela nos seguia. eu a olhava, ao invés de olhá-lo. o coração querendo sair pela boca.

.paramos em qualquer lugar da praia. sentamos um do lado do outro. ele encarando o mar, eu a lua. uma estrela solitária no céu. o cheiro de maresia embriagando nossas narinas. o som das ondas quebrando na beira da praia. a quentura da pele dele próxima a minha. as mãos suando e nós sem saber o que fazer ali.

– estive pensando…

– no quê?

– e-eu… nunca disse eu te amo pra ninguém. pra ninguém mesmo. algumas tentei escrever. nunca tive coragem de falar olho no olho. as palavras sabe… elas parecem não querer sair…

– …

– e você?

– eu te amo!

– eu não perguntei se você me ama. perguntei se já disse isso pra alguém… m-mas… você me ama?

– eu te amo!

– então você já disse pra alguém?

– eu te amo, ora!

– então já disse…

– e eu não estou dizendo agora? eu te amo! amo!

– pra você é tão fácil… já deve ter dito isso muitas vezes…

– e isso te importa? pensei que o que importasse era eu dizer que te amo.

– não se você já disse isso pra outra pessoa.

– ah, mas faz tempo.  e eu nem sei se era amor mesmo…

– mas você disse. e o que é pior. nem tem certeza do que sentiu. você não sabe o que é o amor. banaliza essa pequena frase. quem me garante que agora é amor o que sente?

– mas eu te amo! você não percebe?

– amor não se percebe. sente-se e ponto. mas você nem sabe o que sente…

– mas eu já te disse o que sinto. eu te amo e ponto. ponto! ponto!

– ah, o amor… amar… amantes. o que somos nós Moço?

– poderíamos ser namorados. quer ser minha namorada? mais que minha namorada você poderia ser…

– e o que foi feito do amor?

– e namorados não se amam?

– nem sempre. em tese, deveríam.

– ué! e você!? me ama?

– eu? eu não.

.última vez.

Publicado: 17 de novembro de 2010 em Uncategorized

.bati a porta e fui embora sem proferir uma palavra sequer. bati a porta e pronto. como se todos os problemas ficassem trancados do lado de dentro do nosso apartamento doente. ela estava doente. eu também. ela chorou. eu também.

.desci as escadas num desespero doido. só queria ir embora dali. embora pra nunca mais voltar. mas não podia. aquilo tudo angustiando meu peito,  doendo na carne. sufocando meus pensamentos. tínhamos um laço. um laço inquebrável que eu não podia evitar. não tinha jeito. nos destruiríamos num combate eterno.briga de egos. a culpa depositada no outro. era mais fácil assim. mais cômodo se ausentar da culpa. fingir-se de vítima. manipular.

.no ônibus eu só pensava em uma coisa: e se tivesse sido a última vez? e se, quando eu voltasse pra casa ela não estivesse mais lá. fui embora sem falar nada. nada. nem olhei pra ela. o ódio me dizia pra não olhar. não queria vê-la. ela me deixava doente. fui. fui sentindo uma dor no peito. podia ser a última vez. a última.

.bem que ela disse no dia em que me rogou aquela praga. desejou-me casamento, filhos e dinheiro. no entanto, desejou-me também culpa. a culpa dos que não amaram. a culpa dos insones. e hoje estou aqui de olhos abertos no escuro sentindo nas costas o peso de nós. o peso do vazio que se abriu diante da gente. ah, você soubesse… se soubesse que, o que, mais desejei foi conseguir te amar. amar apesar de tudo.

.conversas de amor.

Publicado: 16 de novembro de 2010 em Uncategorized

.mais uma vez tentas me enganar, menina? eu, que de tudo sei e que até o tempo sou capaz de vencer? tu nem mesmo consegues te enganar. não me venha, pois, com essa história.

e que livro é esse em tuas mãos? é Fernando Pessoa, aquele um meu discípulo? não. não arranjes desculpas. leia Pessoa. Leia Drummond, Shakespeare. não sintas vergonha de chorar ao escutar Vinícius. ele sim sabe das coisas. poeta é assim. tem uma alma diferente. parece que carrega o sentimento do mundo.

.sabe quem fica nessa de se esconder? quem tem medo. no fundo, tu eres assim, menina. morres de medo e fazes questão de que os outros te achem a pessoa mais durona do universo. logo tu, que não mata nem mosca, matando a si mesma, sem nenhuma piedade.

.tu pensas que ninguém viu, mas eu vi. vi sim aquela lágrima molhando o travesseiro no escuro. o brilho da tristeza ilumina o vazio. e por quê? não é incompetência de ninguém. é diferente pra todo mundo e nunca é perfeito. as coisas perfeitas são tão chatas, não concordas?

.tu sonhaste comigo essa noite. tu sempre sonhas comigo. pena que não nos lembramos da maioria de nossos sonhos. há também aqueles que não queremos lembrar. por que tu não quiseste lembrar de mim? tu renegas o que te ofereço. na verdade,  não sabes o que fazer comigo. sempre quiseste o que ela te mostra, mas nunca te dá. ela, que se insinua e se esconde feito cobra traiçoeira. e tu ficas aí, achando que é tudo culpa minha.

.tens que parar de ficar achando que tudo aparece assim, com data marcada, em um evento simbólico. qual nada! eu sempre gostei de surpresas, tu deverias saber. hoje te sorri. olhei-te com olhos lânguidos e cheiro de jasmim. houve um instante em que pensei que me havias notado. até me notaste. notaste sim, mas faltou-te a coragem que, quem me segue, tem de ter.

.menina, como sonhas! é por isso que não desisto de ti. quando dormes, olho-te bem de perto, quase encostando-me no teu nariz.  dou-te um beijo e vou ocupar teus sonhos, com meus flashes de felicidade. e como voas, tão bela! pareces nuvem em dia de sol. se soubesses que, quando te despes de toda essa amargura e põe de lado esses medos que te fazem pender pro lado, ficas tão radiante! ah, como seria tão mais fácil se não fosses mulher! porque, o amor, para mulher é assim, um eterno disse e não me disse, ter e não ter. sentir e não sentir. não. não tentes mais me enganar dizendo que não mais acreditas em mim. ora, ninguém consegue enganar o amor.

.vazio.

Publicado: 12 de novembro de 2010 em Uncategorized

.parei no tempo e me perdi. achei-me novamente e me perdi mais uma vez no mesmo dia. gosto amargo do choro que invade a tua boca. está sentindo essa compressão no peito? o coração soterrado sob os escombros do que fomos um dia. acabou-se. só resta o engasgo na garganta corroída pelo ácido.

.”senhor, não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”. salva-me dessa queda sem fim. por que esse nojo diante dessas pessoas? parentes desconhecido que me ferem sem querer. por que esse abuso diante da vida? essa vontade psicopata de matar  minha própria carne e beber meu próprio sangue.

.quem são essas pessoas? vazias. vazio aqui. e todo esse sentimento contido, escondido. eles fingem não perceber, ou não estão nem aí. não importa. ninguém importa. sou só eu e o vazio perdido no espaço entre nós. sempre nós. engraçado. para mim parece sempre eu. vão embora vocês!

.aquela menina na rua. quero um filho. estou grávida de um filho sem pais. aqui dentro, um ventre vazio de um filho que nunca existiu. nós não existimos. eu nunca te amei.

.sob um céu de novembro.

Publicado: 7 de novembro de 2010 em Uncategorized

.a lua no céu. as estrelas e os planetas no céu. um céu que não era de verdade, mas parecia o céu. nosso céu virtual era tão bonito quanto o céu que a gente podia ver lá fora. na verdade, era até mais bonito, pois o céu lá de fora nem estrelas tinha. a poluição levou as estrelas. só a lua estava lá. mas o nosso céu, nele havia 4 estrelas, todas tão diferentes e brilhantes…

.e o céu fazia pensar numa penca de coisas. no meu gosto antigo pela lua. em como eu quase sempre acabo topando por ficar olhando-a ao invés de olhar o chão. penso que esse céu lá de fora já viu tanta coisa e continua lá, sobre as nossas cabeças. principalmente, penso em como eu queria conhecer mais sobre as estrelas. ah, fale-me sobre as estrelas, desconhecido que ainda estou por conhecer.

.porque era isso que eu queria naquele instante. alguém que me falasse sobre as estrelas, os planetas, as luas e galáxias. que entendesse de conjunção estelar e me explicasse o porquê de termos nos encontrado sob aquele planetário apenas com as estrelas, a lua e o céu como testemunhas perpétuas.

.brilha brilha estrelinha… era assim que mamãe cantava pra eu dormir. não lembro mais do resto. só das estrelas. das estrelas e só. torne meu céu estrelado. quero muitas. quero várias estrelas. a ursa maior, orion, as três marias, a cruzeiro do sul. quero as estrelas do zodíaco. mais que isso. quero a lua, quero os anéis de saturno. quero vênus. quero marte e urano. vai buscar a via-láctea pra mim. sim? ora, ser um fantasma tem suas vantagens…