Arquivo de 11 de outubro de 2010

.escolhas.

Publicado: 11 de outubro de 2010 em Uncategorized

.encostei o peugeot cinza em frente à livraria. olhei no relógio. faziam uns poucos segundos que esperava. parecia uma eternidade. cinco anos era tempo demais! olhei para o relógio de novo, como se eu tivesse o poder de fazê-lo acelerar. não tinha. mais espera.

.sete minutos. meu deus! há apenas sete minutos eu estava ali? o tempo só podia estar de brincadeira comigo. mas quem espera cinco anos, espera mais um pouco. na verdade, acho que esperei 31 anos; uma vida inteira.

.abriu-se a porta! é agora! coração queria sair pela boca! agora não! um enfarte agora não dá! calma. a vida estava em slow down. que engraçado! pensava que isso só acontecia em filme! uma perna de mulher cruza a entrada. era ela. jamais esqueceria aquelas pernas. senti um calafrio subir pela espinha e vir esfriar minha cabeça fervente.

.ela passou pela porta. cabelos negros e esvoaçantes brilhando sob o sol. a luz criava um efeito espetacular com fios avermelhados queimando a minha retina. a pele alva parecia ainda macia de longe. a imagem, congelada, mostrava uma figura feminina, de estatura mediana, mas de uma beleza que nada de mediana tinha. cintura fina, quadris bem-desenhados, silhueta de deusa. nem precisei olhar para o rosto para saber que era ela. no entanto, olhando para o rosto, percebi que o tempo não tinha sido cruel com ela  como havia sido com as minhas marcas de expressão na testa. os olhos grandes e negros ainda eram cheios de fascínio. e a boca! meus deus! aquela boca despertava até defunto do caixão (com o perdão do palavreado vulgar). o batom, como sempre vermelho, só pra provocar. daquele jeito com uma intenção não intencionada. ela sabia que era linda naquele vestidinho simples de algodão estampado com flores minúsculas como o seu pezinho de cinderella.

.naquele curto instante, paralisado e sublime, apaixonei-me por aquela mulher. a olhei como se fosse a primeira vez e nem era. só deus sabe quantas vezes eu a tinha visto, porém parecia mais linda, mais dona de si a cada momento breve em que eu a admirava. 30, 40, 50, mil vezes eu me apaixonara? o que era esse peso comprimindo meu peito? por quê essa vontade tão grande de chorar feito um menino sem mãe? aquela mulher era tão linda que fazia doer cada parte de mim e eu tentava suprimir meu choro, sem conseguir. uma lágrima rolou pela minha face misturando-se ao suor nervoso. parecia que aqui dentro ia tudo se explodir.preciso casar com essa mulher!

.não casei com essa mulher. nem com essa e nem com todas as outras pelas quais me apaixonei. não sei o que acontecia comigo. cada pessoa que eu conhecia era como um encanto. que coisa mais bela essa criação de deus. tenho a impressão de que, quanto mais mulheres eu visse, mais vezes me apaixonaria. todas pareciam tão especiais, tão belas a sua maneira, tão perfeitas! de repente eu encontrava uma outra, e mais outra. para quê me quedar com apenas uma pelo resto de minha vida se eu tinha o mundo a explorar! se eu tinha milhões de outras mulheres por me apaixonar! o que eu sempre fiz na vida foi isso. amar. amar demais.

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