Arquivo de setembro, 2010

.falsidade obesológica.

Publicado: 28 de setembro de 2010 em Uncategorized

.não se pode mais nem ser gordo nesse país. isso me traz uma indignação profunda. se umas gorduras a mais se alojam no seu abdômen, pronto! você se torna o mais novo grávido da praça. e olha que são 17 milhões de obesos no Brasil. já pensou quantas crianças estão para nascer?

.porque é assim. um vestidinho solto na região abdominal, você tem 2 meses gestacionais. um buchim de cerveja, são 5. imagine agora 17 milhões de obesos vezes uma média de quadrigêmeos (porque barriga de obeso é de quadrigêmio no 9º mês) por gordo? são mais ou menos 68 milhões (aew! eu nao sei escrever mas ainda sei contar!) de novas criancinhas, prováveis novos obesos. e é assim que se multiplica a obesidade, digo, as gravidezes, por esse mundo afora.

.ah, e se você estiver ficando mais gordinha e, não satisfeita, está de namorado novo, é aí que até já te arranjaram um pai pro menino. mas tem até um lado bom nisso. você come, come e é só dizer: tenho que comer por dois né? ainda tem outra: você pode organizar um chá de beibe, de preferência em dinheiro. e assim enricamos às custas dos fofoqueiros.

.mãeeeee! você já é vovó! porque pode chegar até a fase em que você já teve o filho e os outros ficam impressionados de você beber enquanto está amamentando. e ninguém mais sabe quem tá gordo e quem tá grávido nesse país! imagina a superpopulação nos EUA! vai faltar maternidade, senhor! é o caos! #merri! e o faustão? será que abortou?

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.instinto de sobrevivência.

Publicado: 27 de setembro de 2010 em Uncategorized

.”acabaram-se as poesias”, pensou. naquela noite, simples noite de setembro, ela decidira um novo rumo. chegara o tempo da prosa. fora-se embora o encanto das rimas. que viesse o ocultismo das entrelinhas. agora o mundo era outro, de um caminhar solitário pelas sombras. onde a fantasia estava apenas entocada na mente humana e o fingimento era necessário à sobrevivência.

.vestira-se de luto. desapareceram as cores. era noite. tudo que escutava era blues. a vida seria rock n’ roll. sem se importar com o mundo, cada ação premetitada buscaria um simples objetivo: o próprio prazer. não que o coração endurecera. não. ele estava lá, pulsando, vivo e cheio de sangue. porém, também, em carne viva, adoecia. para não morrer, ela decidira trancá-lo dentro de uma redoma de pedra.  continuaria tão frágil em sua essência, mas a carapuça magnânima de quem era imortal agora essa segunda pele.

.jogou-se no abismo. cada palavra, cada passo, cada gesto, tudo deveria ser contido de paciência fria. o mundo mudara de cor. se não amava nada nem ninguém, pra quê se importar com o resto? ela pintou uma máscara. encantadoramente desafiadora. há quem tivesse agora medo dessa mulher. e era essa a intenção. melhor que ser amada é ser temida. ninguém mais brincaria agora. apenas a dona do jogo.

.a árvore.

Publicado: 26 de setembro de 2010 em Uncategorized

.há quem diga que a realização do homem depende de 3 grandes feitos: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, não necessariamente nesta ordem. não sei realmente se fazendo essas coisas conseguirei a realização plena, dada a minha fome constante por algo que eu não sei o que é. mas, como arriscar nunca é demais, e eu já estava com a faca e o queijo na mão, então por que não?

.sabe-se lá de onde meu pai trouxe para mim um pé de canela. do Siri Lanka é que não foi. pois bem, essa pequena planta, ou caule, na verdade, me foi dado pelo meu pai com a simples finalidade de ser plantado por mim no parque com o qual dou de cara todos os dias ao amanhecer.

.a canela, é uma especiaria muito utilizada e, antigamente valia ouro. hoje, não compro por mais de 2 reais. as pessoas não sabem mais dar valor mesmo às coisas simbólicas. pois, saibam vocês que, além de ser um tempero muito saboroso, a canela diminui o coleterol. ah, e uma detalhe melhor ainda: dá sorte e é afrodisíaca. isso mesmo. AFRODISÍACA. a especiaria do amor. e eu sempre adorei canela. hm… cheirinho bom…

. e lá se estava eu, numa manhã de domingo, sem fazer nada que prestasse da vida…. vamos lá panatar a canela, que eu descobri, posteriormente, ter sido proveniente da caucaia. é. caucaia. nada de Siri Lanka.  caminhei até o parque com o meu pé de canela, pedi emprestada a enxada do vizinho e começei a cavar. jesus! olha a cena. moi que nem um pedreiro no sol, cavando um buraco pra plantar um pé de canela. o que a gente não faz pelo meio-ambiente! mentira! eu fiz pela minha realização pessoal, ou simplesmente pra desencargo de consciência, afinal, todo mundo diz que a gente tem que fazer isso um dia. pelo menos a mais fácil, plantar uma árvore, eu já fiz. o livro, terei que escrever, mesmo que não queira, até junho de 2011. o filho, esse só deus sabe.  é, como diria um conhecido meu, deus consente tudo e o diabo manda a gente fazer um bocado de coisa… e a gente vai fazendo, fazendo…

.asco.

Publicado: 23 de setembro de 2010 em Uncategorized

.”tentar matar a dor”, balbuciava repetidamente, caminhando de cabeça baixa, olhando as frestras dos paralelepídedos sujos. por lá escorria uma lama escura. estava chovendo, afinal. e enquanto caminhava, pensava. pensava no mundo, na vida, criava histórias sobre a verdade do mundo. conspirações incoerentes. inventava a si mesma.

.não pisava nas frestas. tinha essa mania desde a primeira infância. sabe-se lá porque. pensava em um suposto azar. ou seriam as frestas apenas disfarces mascarando grandes fendas que a engoliriam, levando-a para um lugar desconhecido e sombrio? provavelmente o inferno do qual tanto falava a tia glória, a tia solteirona que a criara assim que falecera sua mãe.

.pulou uma poça d’água. água enlameada da chuva. porém, as pernas da menina ainda eram curtas e ela não conseguiu ultrapassar toda a extensão da mini-cratera que se instalara na calçada. assim, um jato de lama subiu em direção às pernas, que ficaram imundas. parou de súbito, dado o choque do acontecimento. as pernas, muito brancas, agora quedavam-se maculadas pelo líquido escuro.

.ficou estática. encarava com olhos de vidro a cena. o líquido que escorria de suas pernas. o mau cheiro que emanava causava-lhe náuseas. desde então o nojo tomou conta de seus pensamentos. foi quando a menina descobriu um sentimento chamado asco. foi quando percebeu o quanto o mundo podia ser feito, por um único instante.

.a vida são prazeres.

Publicado: 19 de setembro de 2010 em Uncategorized

.sinto uma necessidade constante de pessoas. de estar perto delas, de pegar, sentir, abraçar, de pensar nelas, de ficar obcecada por elas. não gosto da solidão. a solidão me deprime, apesar de ela ser necessária para a maioria das criações intelectuais as quais me dedico bastante.

.às vezes um vazio bate na gente. daqueles que se transformam em uma bola que se aloja especificadamente na nossa garganta e não nos deixa respirar. preciso de ar. ar. e o ar pra mim são pessoas, amizades, amores, prazeres. todos eles.

.folheio um livro como tentativa de distração, mas não adianta. a concentração me abandonou há algum tempo. saudade de mim. saudade de quando eu tinha o controle. ou pensava que tinha. estou inquieta e essa inquietude é pura angústia contida, aprisionada. suspiro e o coração dói. raiva desta melancolia que me invade. saudade de tempo em que as pessoas me fazem sorrir.

.queria ser forte o suficiente para conseguir aquilo que eu tanto queria. tirar da cabeça que há algo de errado comigo. há ou não há? não sei. não sei. tentar procurar respostas sem retorno às vezes cansa. por hoje o cansaço me pega e me dá um belo de um nocaute. estou na rede, beibe. totalmente perdida.

.lembrei daquele senhr que me disse que o homem é um ser essencialmente triste, angustiado. e o que faz a vida valer a pena, então? os prazeres que a gente pensa que é felicidade. os prazeres que são pequenas doses diárias de drogas. quando acabam, por que acabam, o que nos move, é a vontade de querer mais. a procura por esses pequenos prazeres intorpecentes, anetesiantes de nossa dor. estou precisando de um desses. dos bons, pra aliviar-me por algum tempo.  

.egoísmo.

Publicado: 17 de setembro de 2010 em Uncategorized

.já tiveram a sensação de que tudo que acontece em suas vidas faz parte de um livro? de que cada detalhe, por mais ínfimo que seja, está sendo escrito em um livro imaginário? eu já. sempre. e acho que deve ser alguma patologia. bem possível até ser uma sídrome qualquer. a cada passo que dou fico imaginado, narrando, como tudo aquilo seria contado. é estranho. eu sei.

.mas isso não era bem sobre o que eu ia falar. foi só algo que, de repente, invadiu minha “caxola”. ia falar do meu desapego. dizem que desapego é uma coisa boa. deixa-nos em um patamar superior. acho que não é o caso. se o desapego for também em relação às pessoas, talvez esse desapego tenha outro nome: egoísmo.

.às vezes tenho medo dessa peculiaridade. pode até parecer que eu estou brincado, mas valá. não é uma coisa muito fácil de se admitir. me bate uma angústica apenas em imaginar que eu possa perder coisas que construí e que foram tão difíceis. temo que os amigos que tanto estimo hoje, e pelos quais sou capaz de tanta coisa, sejam esquecidos. lembrados somente de forma distante em um encontro casual 10 anos depois.

.sinto no peito um vazio quando lembro de pessoas que passaram pela minha vida e se foram como se nem tivessem existido. tenho medo de como as coisas e sentimentos mudam. de como é fácil para mim passar da mais pura estima para o pior dos desapegos.

.sinto por não querer tanto os meus familiares tanto quanto eu deveria. sinto por não ter vontade de chorar a morte do meu tio recém-falecido. sinto por não morrer de saudades da minha irmã que mora longe. de não correr para atender o telefone quando ela liga.

.talvez eu não saiba amar direito. talvez eu não tenha amor a nada, ou a ninguém. talvez eu não tenha coração. meu deus, será que eu sou um monstro? talvez não. talvez eu só seja uma menina aprendendo a conhecer meus sentimentos, que são bem confusos, por sinal.

.pequenas anotações.

Publicado: 15 de setembro de 2010 em Uncategorized

.ganhou um caderninho novo. capa xadrez e uma flor na extremidade. decidiu colocar ali um pouco de si. a cada dia escrevia pequenas coisas das quais gostava, como para que lembrá-la de quem era e, se por um momento se sentisse triste, ir buscar lá um pequeno hábito, objeto ou pensamento que lhe desse prazer.

.o mundo parecia muito chato, às vezes. no entanto, descobrir no cheiro de shampoo uma coisa boa, era fácil para ela. como era gostoso cheiro de cabelo lavado! olhar Fortaleza à noite, feita de pontos luminosos formando uma toalha de renda brilhante também.

.sentiu um arrepio ao descobrir um novo poema de vinícius. escreveu lá. apaixonou-se pelo estranho da padaria. vontade de abraçar! embrasse-moi! encontrou amigos na praça, riu alto sem se incomodar. engraçado era essa vontade de dançar que dava, assim sem querer, no meio da rua.

.tinha algo nas maçãs do amor que a encantavam. talvez o vermelho intenso, o brilho ou a forma apetitosa… quem sabe toda a semiótica que ela escondia. festa típica, quermesse, encontros, amor. beijo caramelado. aiai

.gostava das coisas justamente pelo que elas representavam e não simplesmente pelo que eram. uma máquina de escrever lembrava os antigos escritores, com seus uísques de lado, a fumaça de cigarro em volta, a boemia, amores não correspondidos.

.bolo de laranja! bolo de laranja no forno! a vó que nunca teve. podiam as coisas conterem assim tanto sentimento. nada passava despercebido para ela. nada era simples nada. cada pequeno instante da vida provocava nela um encantamento como o que provocam grandes descobertas científicas. imagina então, quando essa menina descobrir o amor.

.seule.

Publicado: 13 de setembro de 2010 em Uncategorized

Seule, seule
Seule même dans tes bras
Seule le jour
Seule la nuit
Rêvant toujours
L’amour qui ne vient pas

Chante une chanson pour me bercer
Fais-moi, je t’en prie, tout oublier
Enlace-moi
Embrasse-moi

Prends, mon chéri, tout ce que tu veux
O si tu savais me faire sourire
Je pourrais t’aimer jusqu’au delire
Mais, mon amour
O mon amour
Tu n’estpas l’amour rêvé

(vinícius de moraes)

.inventando histórias.

Publicado: 12 de setembro de 2010 em Uncategorized

.acorde! acorde! acorde!

. acendeu a luz e se meteu embaixo do chuveiro. a água gelada desperta até a alma. precisava acordar. precisava enxergar a realidade, por mais dura que fosse. os sonhos não cabiam naquele momento. tudo o que queria agora era pensar racionalmente, sem impulsos. tudo deveria ser feito com a mais gandhiana paciência.

.apertou os olhos para retirar o excesso de água que deixava a vista desfocada. precisava ver tudo muito claro. os olhos grandes e verdes queriam realidade. alcançou a toalha amarela bordada com rosas azuis. nunca vira nenhuma rosa azul. só aquelas bordadas na toalha. quem bordara as rosas? não. as rosas a estavam desvirtuando de seu propósito.

.friccionou a toalha na cabeça em movimentos rápidos. enxugou o corpo branco e esguio. deparou-se com a cicatriz de uma luta anterior. andou até o quarto, abriu o guarda-roupas e, sem pensar muito, pegou as primeiras peças de roupa que viu. estava escuro e a pressa não a deixava mais ver cores. e, sem cores, qualquer roupa parece igual.

passou a escova pelo cabelos ainda molhados e deixou o apartamento, sem bolsa, sem calçados, nem nada. era só seu corpo branco,  olhos, cabelos, roupas sem cor e pés descalços. os sonhos foram-se embora. pra quê sonhos? a realidade era tão mais criativa! precisava ficar acordava para ver tudo de perto com a nitidez necessária aos peritos em dia de crime.

.o cachorro ficou latindo da janela. e latia compulsivamente como que implorando pela sua volta. ou quem sabe, tentava avisá-la de algo que não podia enxergar. e se estivesse sonhando, seria tudo mentira, moça?. quem sabe… quem sabe.

.andava depressa. saltou por cima de uma poça d’água. era noite, certo? ausência de luz significaria noite, no caso. estamos no hemisfério sul e bem perto da linha do equador. pois era noite então. madrugada. sim, madrugada. quem anda por aí sozinho durante a madrugada? e daí? ela andava, ora bolas. e depressa. corria agora. ah! caiu a pobre donzela. vê? eu sei que está escuro, mas lá está a perna branca da moça. e ela não vai se levantar mais? quem sabe cansou. pois é. deve de ter cansado. vamos dormir, então. amanhã a gente pensa em outra história.

.mistério.

Publicado: 8 de setembro de 2010 em Uncategorized

.tentava exergar através da cerveja espumosa e amarelada no copo. para isso, inclinava a cabeça e espremia os olhos. o sono era inevitável, dada as 7 noites não dormidas. bossas nem tão novas assim embalavam a noite. casais bêbados ensaivam alguns passos. a noite bucólica trazia pensamentos antigos e sem sentido. era noite em porto alegre.

.da escuridão da cidade baixa brota um velho. babardo e maltrapilho, o senhor coloca metade do corpo pra dentro do bar. mostra alguns desenhos. nada mais era do que um nômade velho, sujo, espírita e vidente. queria ele dinheiro, reconhecimento ou apenas nos deixar pequenos recados do “poder maior”?

.o homem  adjetiva os presentes. eu o olho fixamente. curiosidade sobre o que diria de mim. que segredos revelaria. ele parou por segundos, fitou-me e se limitou a dizer:

-essa mulher aqui é misteriosa. esconde algo. é perigosa.

.e eu sorri em concordância. mentiras não haviam. nada fora revelado. nada inventado, porém, no mistério, tudo havia sido dito.