Arquivo de 6 de agosto de 2010

.drummond me conhecia.

Publicado: 6 de agosto de 2010 em Uncategorized

.conheci drummond em outras vidas. eu sei. ele sabia. a gente era um pouco igual.

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…

Carlos Drumond de Andrade

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.milhões de pensamentos.

Publicado: 6 de agosto de 2010 em Uncategorized

.pela primeira vez em anos, demorei para dormir. não lembro que horas eram quando deitei na cama para cumprir tabela. também não sei que horas eram quando o sono interrompeu meus pensamentos. antes, lembro só de uma tremedeira incontida nas mãos como uma velha com parkinson ou em uma crise de abstinência qualquer.

.pensei em tantas coisas. mil vezes pensei no passado. mil  vezes pensei no futuro. esqueci do presente. mil vezes pensei em deus, outras mil, temi o diabo. algumas quis morrer, no entanto, o viver era mais forte. quis viver, viver e viver. pensei em chorar, mas eu já tinha chorado. senti vontade de gargalhar das infâmias do mundo. mil vezes imaginei momentos, desenhei cores. mil vezes pensei nos outros. mil vezes pensei em mim. mil vezes pensei na tristeza. mil vezes desejei ser feliz. pensei nos meus amigos.

.depois de tanto pensamento, a cabeça dói. depois de tanto pensamento, joguei o medo fora. abraçei a vida. dizem que com quem mais brigamos é a quem mais amamos. briguei tanto com a vida por demais amá-la. viver é um ato egoísta. amar também. e medo não combina com nada disso.

.medo castra, oprime, tolhe, aperta, sufoca, paraliza. medo mata. eu quero alguém perto de mim pra me sentir feliz, logo sou egoísta. se não quero ficar perto de alguém por medo, sou egoísta, pois não quero  sair do conforto da minha vida morna e me jogar no incerto. felicidade não é certeza. amar não é certeza. sonhar não é certeza, nem viver é. não há garantias. ou se joga, ou não se concorre ao prêmio final.

. se tenho medo de magoar alguém é porque não quero me sentir mal comigo mesma. não quero fazer o papel de vilão da história, logo, sou egoísta. corres riscos. sim. correr riscos. viver é amar e odiar. amar é magoar e ser magoado. há muito não me importo mais em ser a vilã da história.