Arquivo de 5 de agosto de 2010

.flor de pequi.

Publicado: 5 de agosto de 2010 em Uncategorized

.no silêncio completo só se consegue distinguir dois sons: o tic-tac do relógio (se você tiver um) e a sua respiração (se você estiver vivo). naquele instante podia escutar além desses dois, o baticum do coração quase saltando pela boca. no entanto, o nó na garganta o deixava impossibilitado de ser cuspido corpo afora.

.a mente girando feito barata-tonta, explodindo de lembranças e mais lembranças com e sem sentido. começa então a hora de planejar a própria morte. não. do jeito que a morte é mulher geniosa, periga te deixar num suicídio frustrado. melhor se aquietar.

.você descobre que três alprazolam não lhe servem de nada, porque você continua pensando racionalmente”. nada de dormir. ou é placebo ou você deve ser um cavalo. pois bem. não adianta pensar em nada mais. quem disse que nessas horas dormir é fácil? depois de não pensar mais em dormir, dorme-se e se acorda atrasado para o trabalho no dia posterior. bem feito.

.não satisfeito com tal momento de angústia, de repente você se vê em um lugar sombriamente charmoso. sim, você sempre teve uns gostos estranhos. era bem capaz de você dançar ali mesmo ao batuque do crioulo doido e encarnar a pomba-gira.

.suspense. tensão. o cheiro forte da parafina queimando. as velas como oferenda a um deus morto. pimentas vermelhas. um corpo sem cabeça. uma cabeça sem corpo. você ali. fale-me da semiótica.  cânticos entoados aos loucos. gente nem tão conhecida assim. flor de pequi. flor de pequi. pequi com feijão. de fato, você odeia pequi. vai-se a flor, fica-se o fruto. é tarde. faça então cara de paisagem pra vida que ela finge que é sua melhor amiga. a gente finge bem.

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