Arquivo de agosto, 2010

.des petites choses d’amour.

Publicado: 31 de agosto de 2010 em Uncategorized

.a maçã mais vermelha e doce do mundo  era maçã do amor. daquelas que só se come no parque de diversões ou nas festas de são joão, mas que são sempre divididas com alguém. uma mordida aqui, outra acolá. lábios vermelhos, caramelo pregado no dente.

.olhar tímido e desviado. esse é sempre sinônimo do interesse incial, quando a insegurança se mistura ao brotar de sentimentos e à construção da ilusão. os olhares trocados, desejados, posteriormente dão lugar aos olhares fixos, de um bem-querer antigo.

.as mãos trêmulas e suadas que se tocam escondidas. pura eletricidade. o abraço morno e apertado aconchega o pranto, acolhe a tristeza ou celebra a alegria.

.o beijo curto, selado nos lábios úmidos. o beijo prolongado de cinema que arrepia detrás da orelha. beijo roubado.  beijo no olho, no ouvido, estalado. banho de chuva de braço dado.

.massagem nos pés ao assistir ao espetáculo de um pôr do sol na praia. dois pares de pegada na areia. rolar na areia e tomar banho de mar acompanhado. conversas bobas madrugada adentro. poesia e canção dedicada.

.sesta na rede abraçado. cheiro do outro. cafuné. mordida na bochecha. pé com pé. dividir ovomaltine do bobs. por que não dá pra tomar ovomaltine sozinho. isso não existe.

.depois da festa que não acabava nunca, na viagem com tantos amigos,  adormecer no ombro do outro, como se o tempo não existisse.

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.montanha russa.

Publicado: 30 de agosto de 2010 em Uncategorized

.lá estava ela na minha frente. uma montanha russa em alta velocidade com tudo o que tinha direito: anjos e demônios. não sei se eu a seguia ou se ela seguia na minha frente. cada frio na barriga me fazia querer ir mais fundo, mais veloz. eu queria saltar!

.quando se decide entrar nessa montanha russa, sair torna-se uma derrota. o prazer de se estar nela, o desafio, a ânsia de vômito misturada a adrenalina que corre nas veias é viciante. é medo gostoso; é  loucura pensada; verdade não planejada.

.nessa montanha russa, há decidas e subidas, confesso. a queda é sempre mais veloz e o frio na barriga mais intenso. ah, mas a vista lá de cima é incomparável e dissipa qualquer agonia provocada pelo cair. lá em cima meus sonhos são tão grandes e o resto do mundo parece tão pequeno. quando vem o fim e a montanha vai perdendo a força e a velocidade, é como se ela se acalmasse, descansasse, morresse um pouco, até começar um novo passeio, com novos passageiros, e você pode trocar de lugar, se quiser.

.sem garantias.

Publicado: 29 de agosto de 2010 em Uncategorized

.sentada na coxia, ela esperava. não sabia por quem. só esperava que alguém viesse. um rato passa apressado para dentro do buero. ela continua com a face de cera, inexpressiva e pálida. no entanto, havia dentro dela uma ebulição que eclodia: uma vontade assassina.

.um carro para. cor de chumbo, quatro rodas turbinadas. garantia de sexo caro. ele sinaliza. ela se levanta, ainda com a cara de cera. era magra, alta e ruiva. vestido preto, curto e justo. olhos verdes e sem brilho.

.porta aberta. ela senta, muda. encara o homem de blusa de botão. muda também no sexo. fazia tudo, sempre com a cara de cera. serviço completo. o que pedir. era profissional. a única garantia que queria era o dinheiro em cima da mesa de centro.

.na parada do ônibus tirou um cigarro da bota preta. não tinha fogo. pediu a um medigo sentado na calçada. dali há pouco estaria de novo em casa. na cama, o marido a esperava, sempre dormindo. ela não conseguia dominar sua vontade assassina.

.posso?

Publicado: 27 de agosto de 2010 em Uncategorized

.por que eu só quero o que não posso? isso me veio à cabeça enquanto me dirigia à cantina para tomar o santo cafezinho de todos os dias. pior que é a pura verdade. eu sempre quero o cara que não pode, seja por ser gay, comprometido ou que não esteja afim. sempre quero ver o filme cujo horário e lugar são impossíveis. quero visitar os lugares os quais não tenho dinheiro para ir. quero as roupas incompráveis, as pessoas inacessíveis.

.eu quero, mas não posso. tem coisa mais frustrante? bem que a gente poderia querer apenas o que pudesse, ou poder tudo o que quisesse. seria perfeito, não? mas, acho que, no fundo, as coisas perderiam a graça, pois não precisaríamos correr atrás de nada. não existiria a grande mola que impulsiona o mundo: os sonhos, os desejos.

.se eu pudesse alcançar tudo o que quisesse, agora mesmo, sem nenhum esforço, seja de tempo (paciência), dinheiro, artimanhas (qualquer que sejam), não haveria o prazer de conseguir aquilo que parecia impossível. o esforço gera prazer. não haveria porque mover céus e terras.

.se eu pudesse ter johnny depp agora, ele não seria o johnny depp. ele não teria a magia que gira em torno de sua figura. se bem que eu não ia achar nada ruim ter o johnny depp pra mim agora. aiai.

.ah, mas se eu pudesse ter um pedacinho da frança, momentinhos com um grande amor, abraços de amigos, montes de chocolate, seria tudo tão perfeito! continuemos então sonhando, que sonhar não mata e é de graça. e só com sonhos se pode começar a viver.

.intimidade compartilhada.

Publicado: 25 de agosto de 2010 em Uncategorized

.sensação esquisita é a intimidade que somos obrigados a compartilhar com estranhos em coletivos. sentir uma bunda colada com a sua e você não tem a opção de sair dali. sim. bunda com bunda. era como um beijo, não? boca com boca? eca!

.tenho problemas em ter a minha intimidade invadida dessa maneira não convencional. também tenho problemas em presenciar cenas demasiado íntimas. exemplo: não me sinto confortável em presenciar desconhecidos chorando. isso aconteceu hoje no banheiro. passei direto como se fosse cega ou surda ao pranto contido da moça em frente ao espelho.

.sentada no sanitário, comecei a pensar em quantas pessoas choravam no banheiro. eu já tinha feito isso, com a diferença que eu tinha o cuidado de não deixar que me vissem e nem emitir sons. tive de ficar do lado da moça, pois as normas de higiene (com H), exigiam que eu lavasse minhas mãos antes de deixar o banheiro. tentei mais uma vez fingir que a “chorona” não estava ali. senti-me tolhida. não sei confortar pessoas, muito menos desconhecidas.

.saí do banheiro e fui pegar um café.

.ingazeiro.

Publicado: 24 de agosto de 2010 em Uncategorized

.fazia tanto tempo que eu não escutava  a palavra ingá. ah! que gosto de infância tem ingá. aposto que pouquíssimas pessoas nesse mundo já viram um ingazeiro ou tiveram a oportunidade de comer ingá, muito menos no pé (de ingá, óbvio). engraçados como ultimamente tenho parado para pensar e me dar ao luxo de sentir pequenos prazeres. esses são os que fazem cada segundo de vida valer a pena.

.mesmo com as decepções diárias, fico feliz de ser eu. no entanto, aprender nunca é demais. para desapegar de quem não devemos, basta ver que a projeção pela qual nos havíamos encantado não passava realmente de projeção. era o que queríamos que fosse e nem de longe era. remédio para isso? desconstruir nossas projeções. ou seja, nos dar conta de que ele não era lá essas coisas. de que ele mentiu, que o sorriso dele nem era tão bonito. que de vez em quando ele esquecia de usar desodorante e que ele vai ao banheiro como todo mortal. ou seja, eçe não é nenhuma entidade superior. você sim o é.

.então, nada de mudar mais uma vez a sua rotina por qualquer um que apareça. nada aconteceu. foi um lapso de sua consciência. aprenda a dizer vários nãos estratégicos. fazer a sua própria vontade. ser bonequeira. ser dona de si. você em primeiro lugar. anotou isso? pois enfia na cabeça agora e segue em frente que o mundo é grande e há pouco tempo para explorá-lo.

.ps.: alguém pode me dizer o que isso tem a ver com o ingazeiro que eu ainda não sei?

.l’étrangère.

Publicado: 21 de agosto de 2010 em Uncategorized

.nenhuma pegada além da minha. na areia, nenhum passo acompanhava os meus. seguia na minha solidão necessária. depois de tanto caminhar, o cansaço se apoderou de minhas pernas trêmulas. sentei em um banco e fechei os olhos para sentir a brisa vespertina. logo depois, de olhos abertos, o sol vem para cegar-me  por alguns instantes. vi pequenas luzes que se imprimiam nas retinas míopes, num efeito óptico.  mesmo se fechasse os olhos novamente, elas continuariam lá.

.uma lágrima desceu tímida sobre as bochechas rosadas pelo esforço físico. meu olhar perdido e estrangeiro fitava o nada, pois as árvores estavam ali, no entanto, pareciam apenas hologramas de algo imaginado.

.agora, sob a água do chuveiro, tentava lavar a alma suja. meu pranto se misturava, confundindo-se com o jato d’água que caía sobre meu corpo nu. por que chorava essa jovem mulher? chorava por não mais compreender o mundo. não entendia as pessaoas, os sentimentos. tudo parecia-me tão distante. sentia um asco de viver. os sentimentos não mais importavam, pois os gestos eram mecânicos. o beijo era sem gosto. o sexo era necessidade como a que se tinha de comer. não precisavam mais de olhares. nem de tempo desperdiçado. é tudo instantâneo nesses novos tempos. a cabeça tentava entender. o estômago tentava engolir aquilo tudo, mas sentia uma ânsia de vômito. queria vomitar a vida que se apresentava diante de seus olhos.

.sentia-me uma estrangeira de lugar nenhum. sem pertença, sem laços. era como um pássaro perdido num bando de aves descontroladas e sem rumo. lembrava como tudo parecera estranho naquele dia. as pessoas eram estátuas de cera. lembrei do velho desdentado que me sorriu como se me conhecesse de outras vidas. pensei no homem gago que discutia ao telefone sentado em um fusca cor de abórora. e haviam 7 carros cor de abóbora enfileirados na rua. o cachorro peludo e branquíssimo corria atrás de balões amarelos e violetas. uma criança corria atrás do cachorro. lembrei que, ao olhar a criança, chorara. chorara por que queria ser de novo criança. tinha saudade da menina aprisionada dentro de mim. “vamos criança,volte. vamos brincar de mãos dadas o jogo das 7 princesas encatadas”.

.ainda chorava como criança debaixo do chuveiro. meu coração era pequeno demais para suportar o peso do mundo. meu coração era sensível demais às influências exteriores. sangrava, e o líquidovermelho se esvaía misturando-se e diluindo-se entre água e lágrimas.

.doses de egoísmo.

Publicado: 20 de agosto de 2010 em Uncategorized

.sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar.

.quanto mais leio clarice, mais me dou conta de que temos muito mais em comum do que sermos mulheres. hoje estou forte como uma ventania, pois parei de tentar encontrar motivos para sentimentos ou não sentimentos de outrem. comecei a fase de desintoxicação com doses diárias de egoísmo. pensar em mim é o primeiro plano.

.um coração adoecido por anos, moribundo, pode ter um surto de vida, e viver, e mais viver. esquecer não é fácil. o que perturba é o não saber porquê. é o não poder viver mais o que viveu outrora. é sentir que tudo escorreu pelas mãos sem que nem mesmo tivesse a chance e o direito de lutar. mas o velho coração tá vivo. muito vivo por sinal, e batendo que é uma beleza.

.por quê? irei me perguntar isso ainda por muito tempo. talvez só isso me traga paz. porque do que eu preciso agora é paz. é sentir mais de mim e me anestesiar dos outros. é compartilhar com amigos queridos e não rastejar pelos indesejáveis. é me tocar que eu estou aqui e o que importa é quem está aqui também agora, nesse momento. o passado não deve se projetar no presente, muito menos no futuro. e o futuro deve ser escondido, pois, se temos algo em mente relacionado, certeza nunca é. muito provavelmente será outra projeção infeliz e decepcionante de algo que jamais ocorrerá. presente. sim. e o meu presente é aproveitar o meu sono agora com desejos vorazes de não sonhar com quem não devo, ou pelo menos, não quero.

.me aprendendo.

Publicado: 19 de agosto de 2010 em Uncategorized

.a falta de sanidade mental pode ser fruto da simples falta de paciência consigo, com o mundo, com as pessoas. depois que os ventos levam tudo, fica o chão. no chão limpo, pode-se recomeçar. ali está o chão. ele sempre esteve ali. você que não percebeu.

.o que falta agora que já consquistou a força suficiente para reconstruir seu mundo? sonhos e metas. mas, para fazer com que tais planos que não caiam no erro anterior com sérios riscos de levar tudo às ruinas, é preciso estudar um pouco. mas estudar o quê? tem alguma apostila sobre o assunto? não. está tudo aqui nessa maquinazinha pensante.

.o único modo de tentar refazer tudo de modo diferente é parar e olhar para si e para sua relação com o mundo. nesse pequeno intervalo de tempo, percebi que o objetivo agora é SE APRENDER, APRENDER A SI MESMO. hã!?? isso. se não sabemos que diacho de bichos somos nós, do que gostamos, o que queremos, como nos comportamos, como queremos que os outros saibam por nós? é preciso muita disponibilidade para fazer essa viagem. porque é uma verdadeira viagem pra dentro de si.

.não penso que seja egoísmo. não precisamos ignorar o mundo ao nosso redor. porém, ao termos o conhecimento sobre nós, mínimo que seja, podemos saber o que nos faz mal e pular fora, sentir o que nos alegra e correr atrás. paramos com essa história de pensar que a nossa felicidade depende de alguém que não seja nós mesmos, sendo que somos o nosso próprio chão.

.hoje prestei atenção em pequenas coisas que me fazem feliz. conversar com estranhos é uma delas. dei então bom dia para um estranho. esquentar as mãos na xícara de café é justamente o que estou fazendo agora. hm… mais tarde vou abraçar alguém…

.pedacinhos de felicidade.

Publicado: 16 de agosto de 2010 em Uncategorized

.um souvenir de uma viagem a buenos aires. souvenir de uma amiga que parecia distante, mas que lembrou de você de algum modo. um pedaço de felicidade.

.conversas bobas, confidências de adolescentes nem tão adolescentes assim. lembranças de momentos de risos. risos. tardes perdidas. outro pedaço de felicidade.

.espera. esperança. espera. ansiedade e ilusão. espectativa de um encontro. de, por breves instantes, olhar uns olhos, dar pelo menos um abraço. sim. olhares tímidos. mãos que não sabem os seus devidos lugares. um toque. um cheiro. uma voz. um sotaque. pedaço de felicidade.

.separação. ir embora, sem uma longa despedida, sem beijo, sem palavras doces, nem nada. só adeus. só um abraço frio. sem preocupação. só a falta. a saudade. o buraco que fica e não preenche. o que sobra são dúvidas, medos e uma noite melancólica. porque o que existiu foram pedacinhos de felicidade. pedacinhos desses que se comem aos poucos com pena de acabar, mas…  pedaços acabam. acabam né?