Arquivo de abril, 2010

.24 horas.

Publicado: 29 de abril de 2010 em Uncategorized

.aquele dia lhe pareceu místico. com um quê de fantasia surrealista de última categoria. levantou de manhã encucado. sonhara com alguém…quem era mesmo? ah! com ela. aquela moça que ele só havia visto duas vezes na vida, com a qual nunca fizera mais que conversar uns poucos minutos e com a qual nunca mais havia encontrado. que loucura! e eles ainda se beijaram no sonho. tentou imaginar de onde poderia ter surgido aquilo…o nome…o nome! lembrou ter lido em uma placa de rua o sobrenome bezerra, e logo lembrara dela, que era bezerra também. mas foi rápido. momento fugaz e sem relevância. ele nem se lembrava mais até ocorrer a fantasia onírica.

.passando na rua, alguém lhe entrega um panfleto. “mãe darah ajuda você a encontrar a pessoa amada em 24 horas”. em tão pouco tempo assim? pensou. riu consigo. iamginou que aquele papel era muito estranho… amassou-o e o atirou no lixo.

. mas estranho mesmo, foi sua ida ao banco. precisava de dinheiro e foi até a o caixa eletrônico. quando retirou as cédulas, teve uma grande surpresa. ali, em uma das notas de dez reais estava escrito um nome. Melina. que doido! pensou novamente, seguindo pela rua da agência.

.às 17 horas, o celular tocou. era uma moça de uma voz macia e despretenciosamente sedutora. perguntou quem era e ela respondeu com outra pergunta: é o número da mãe darah? ele ficou mudo por dois segundos, mas respondeu, gaguejando, que não. ele não era a mãe darah. ela pediu desculpas e  desligou. que coincidência! mãe darah…

.lá pelas 22 horas, quando saia do pequeno bistrô onde havia ido jantar qualquer coisa, um carro descontrolado praticamente bateu no seu peugeot novinho. ainda bem que tinha seguro, mas o transtorno era inevitável. o  consolo era que o outro carro estava em muito pior estado e, com certeza, não deveria ter  seguro. ele chegou perto para anotar a placa, caso o homem não quisesse dar o depoimento na delegacia. MEL 2424. mas o que era aquilo? uma perseguição? outro sinal? que placa estranha era aquela?

.seguiram os dois homens para a delegacia. logo descobriu-se que o outro se tratava de um assaltante e ele acabou ficando na delegacia mesmo. quando ele conseguiu sair do local, já eram quase 5 horas da manhã. teria que pegar um taxi. pegou o celular e acordou a secretária para avisar que só iria para a agência à tarde. explicou superficialmente o que ocorrera e fez sinal para um taxi. estava louco para chegar em casa e descansar daquele dia maluco.

.ao abrir a porta do taxi, um passageiro já ocupava o banco de trás. uma bela jovem. ele pediu desculpas. não sabia que já havia alguém. ela segurou o braço dele e, sorrindo, disse: você chegou bem na hora. entra. estava ansiosa. essas 24 horas não passavam nunca!

Anúncios

.dia de semear a discórdia.

Publicado: 28 de abril de 2010 em Uncategorized

-hoje é segunda ou é terça, moça?

-É quarta.

.depois de responder ao restranho senhor um tanto quanto desorientado, saí rindo comigo mesma.  no entanto pensei também  em umas coisas. por que será que hoje é quarta? será que hoje é quarta mesmo? o que tem de diferente na sengunda, na terça, na quinta, na sexta, no sábado e no domingo? por que a semana útil é feminina e  o fim de semana  é masculino. quem foi que definiu esse história de tempo, afinal? nunca gostei de imposições. sempre gostei de semear a discórdia.

.tudo bem que já não conseguimos controlar o tempo, mesmo o tendo organizado em um calendário. mas…se os dias nunca são iguais aos outros…por que certos dias se repetem? são terças, quartas, quintas…

E por que esses nome? tem feira durante cinco dias. depois é sábado, e depois domingo. e por que sábado? e por que domingo? cada dia poderia ter um nome. seria muito mais criativo. poderíamos dar o nome que quiséssemos. as pessoas são sempre muito egoístas. quem definiu que o MEU dia, o meu hoje, o meu, só meu presente seria chamado de quarta-feira? hoje poderia ser…deixe-me ver….hoje é o dia… O DIA DA DISCÓRDIA!   por que não?

.la dame du parapluie rouge.

Publicado: 27 de abril de 2010 em Uncategorized

.foi a primeira vez que a vi. era fim de tarde e chovia, quando a observei andando pela rua de calçamento. estava de costas e, da minha janela, só conseguia enxergar um guarda-chuva vermelho a bailar em meio a uma impiedosa tempestade.

.quando ela já havia ultrapassado certo ponto da rua, pude ver que vestia preto. trajava um vestido com a elegância de uma dama parisiense. nos pés…não usava nada. estava lindamente descalça. notei pela alvura da pele  desprotegida.

. era branca. tão branca e pálida quanto uma alma. e eu acabava ficando impaciente por não conseguir ver o seu rosto. e ela continuava ali, a desfilar pela rua de calçamento totalmente desabitada, como se estivessémos em um dia de sol radiante.

.de repente, uma rajada de vento fez com que o guarda-chuva vermelho se desprendesse de suas mãos, também muito alvas. o objeto saiu bailando sozinho rua abaixo. mas ela nem desesperou-se. continuou andando como se a chuva não desabasse sobre a sua cabeça.

.foi nesse momento em que enxerguei sua cabeleira negra. muito longa e lisa, agora enxarcava-se com a água da chuva. os olhos também negros como duas jabuticabas assustadas, contrastavam com a brancura da cutis de morta-viva. na boca, um batom vermelho, da cor do fugitivo  guarda-chuva.

.a boca era cerrada. raivosa como a de uma menina emburrada. e ela continuava a caminhar pela rua de calçamento. as pedras brilhavam por conta da água da chuva, e eu pudia ver, daqui de cima, seu rosto refletido em uma delas.

.foi então que me distraí com qualquer coisa que já não me recordo. quando voltei os olhos em direção à ela, estava parada no meio da rua. milésimos de segundo depois, um veículo em grande velocidade passou por cima de seu corpo esguio. esperei até que o carro passasse, e lá estava ela deitada de bruços em meio a um líquido espesso também da cor do guarda-chuva.

.foi assim que eu a vi pela primeira vez. desde então, ela me visita sempre que chove. da janela, vejo o guarda-chuva vermelho.

.a diferença entre sonho e realidade.

Publicado: 26 de abril de 2010 em Uncategorized

.pensamento a gente só pensa. há os que vão embora. são esquecidos mais que rapidamente. pensamento fugaz não faz lá diferença na vida de ninguém. dá e passa. mas há aqueles que persistem na nossa mente. ficam teimando, os danados. não querem ir embora de jeito nenhum. um bom exemplo é sempre o pensamento fixo dos apaixonados. Quando vira pensamento obsessivo então…..é um perigo. é patológico. o jeito é rezar.

.sonho é diferente. sonho não se sonha só com a mente. sonho se sonha também com o coração. sonhos às vezes são impossíveis. todavia, de tanta teimosia, um dia viram realidade. sonho é vontade. é almejar. é o que move a gente e a vida. mas também tem sonho maluco. assim como pensamentos sem a mínima noção de realidade. mas o que seria então a realidade? quem disse que quando se está acordado tudo é real e quando se dorme é mentira? não se pode trocar? e misturar? por que tem gente que sonha acordada e que acorda dormindo. então…quem me garante que não estou dormindo agora?

.sonhamos alguns sonhos. sonhos de criança. de adolescente. de adulto. mas será que velho ainda sonha sem estar dormindo? há o que se esperar da vida que não seja a morte? dona clotilde só sonhava em morrer dormindo. ora, vamos lá. é um sonho, afinal. quando a gente cresce, os sonhos mudam. são esquecidos e trocados por outros. assim, sem a mínima compaixão para com eles.

mas existem uns sonhos que permanecem guardados durante toda a vida, esperando por uma oportunidade. se sonhados por gente teimosa e com sorte, viram realidade. se sonhados por pessoas tolas e sem persistência, ficam por aí, vagando pelo mundo dos sonhos.

.queria eu sonhar um sonho infinito. um sonho antigo, mas nem tão velho assim. um sonho que não fosse só meu. sonho compartilhado é sempre melhor. que vontade de ter um sonho maluco, desses que a gente ri depois. hoje eu só queria não esquecer do que sonhei ontem à noite e sair desse redemoinho de pensamentos sem fim. hoje eu queria ter a mente vazia e um coração superlotado de sonhos.

.nem uma nem outra.

Publicado: 25 de abril de 2010 em Uncategorized

.”será que eu estou ficando louca?” também me perguntei isso por esses dias. um quê de alice num país sem tantas maravilhas. uma imaginação sem limites. como a menina de cabelos dourados, eu me perco em pensamentos absurdos. penso, por exemplo, no preestabelecido social. por que homens devem abrir a porta para as mulheres? e se eu fizesse isso? por que homem usa cabelo curto e mulher cabelo comprido? por que mulher usa salto alto e homem não? por que os ocidentais não podem comer com a mão? por que a gente usa roupa? por que a gente tem que trabalhar e ter um emprego fixo? nunca gostei de me sentir presa às coisas. por que a gente não pode, simplesmente falar o que pensar, fazer o que sonha?

.destraída que nem alice. sonhadora que nem alice. mas, cadê? cadê meu país das maravilhas. tá aqui. aqui dentro da “caxola”. de vez enquando, uma rainha vermelha deixa  tudo feio. mas vamos lá. o sonho é meu. o mundo é meu, ora bolas.

.desastrada que nem amélie. tímida e sonhadora quem nem amélie fechada dentro do próprio mundo  mundo. e gosta de vermelho e acredita (infelizmente) no amor. amélie…até o nome é parecido.

.alice ou amélie? nem uma nem outra. quem dera ter a coragem de alice. quem dera ser atrevida como ela pra ir até o fim de tudo. correr atrás do coelho, cair, levantar, enfrentar os medos. ter um chapeleiro maluco. quem dera ter a sutileza de amélie. quem dera ter sua bondade e presteza para com os outros quando não passo de uma individualista. quem dera às vezes não ser eu. por que ser a gente mesma é difícil e as vezes cansa. há dias em que precisamos tirar férias de nós.

.essa sou eu e, sendo eu, não posso ser outra. seria outra se não fosse eu. mas como sou eu mesma, continuo assim, sendo eu. por que lágrimas não te levam a nenhum lugar e os loucos, são gente muito, mais muito mais legal. ah…e eu…eu tenho que acreditar pelo menos em 6 coisas impossíveis antes do café da menhã.

.para um moço, com amor.

Publicado: 23 de abril de 2010 em Uncategorized

.disseram para ela que, na dúvida, é melhor despejar os sentimentos numa bandeja e oferecer a quem se ama. daí…o outro faz o que bem entender. assim, ela escreveu uma pequena carta.

Para um moço, com amor

Tantas coisas quis dizer e calei. Faltaram-me palavras. Nem sei bem o que passava pela minha cabeça confusa, mas havia algo que me inquietava. Minha boca, travada. Um nó-cego no peito subia até a garganta fechada. Beijei-te e uma lágrima medrosa lançou-se sobre o meu rosto escondido. Você nem viu. Estava escuro e nossos olhos estavam fechados. Isso me deu um alívio, pois não queria parecer boba.

Tão difícil é pra mim saber o que sinto. Muito mais falar de algo desconhecido que dá medo e faz tremer até a alma. Se minha boca não proferiu nenhuma palavra, olhe então para os meus olhos. Lá estarão todos os mistérios escondidos dentro de mim. Meus sentimentos e meus medos, dos quais suprimi do meu vocabulário vestindo-me de uma armadura de mármore.

Se te pareço fria, segura então as minhas mãos suadas. O toque delas dirá tudo o que não diriam mil palavras. Meus lábios não precisam se mexer. Um toque, um olhar, um sorriso, um beijo estalado no ouvido são qualquer coisa boa que não precisam de tradução falada. Essas palavras escritas são tão fáceis de serem manipuladas. Eu poderia escrever o que quisesse. Mentir, fingir, ser dissimulada.

Mas os meus olhos me trairiam. Só eles podem te mostrar quem sou, o que sinto e o que temo dizer. O que mais me dói: esse meu medo de me apegar a você. De sofrer de me perder num caminho sem volta. Se ainda não entendeu, então é por que jamais entenderá por que não preciso de uma frase pra dizer o que meu coração quer falar. A linguagem dos sentimentos não foi o homem que inventou. Não se pode estudá-la nem aprendê-la. Apenas senti-la. E eu, que já cansei de tentar, deixei meu coração falando sozinho. Acalma-se só de te ouvir cantar no pé do meu ouvido baixinho numa noite de sereno em plena lua cheia.

.no fim, a bandeja foi jogada no lixo. sem mais desperdício ou lamentações, juntou os cacos de si, e, com uma rabissaca, disse adeus.

.saudosa assassina.

Publicado: 23 de abril de 2010 em Uncategorized

Por ser uma pessoa patologicamente indecisa, simplesmente ela não sabia qual seria a escolha mais adequada a ser feita. Inicialmente a contestação foi negativa, apesar de uma luta metafísica com seu teimoso inconsciente. Não obteve, todavia, o sucesso desejado, sucumbindo às vontades de um coração voluntarioso.

Foi então que ela decidiu arriscar a segunda opção, entregando-se a um inevitável e excitante romance ilícito. Ele exercia sobre ela um fascínio quase que criminal. A moça sentia, pois, raiva de sua impotência diante do evidente caso de delito. Mais precisamente do art. 217 da Constituição brasileira: sedução. Um crime contra os costumes. Fatalmente irrevogável.

Porém, rendendo-se ao que outrora julgava jamais aceitar, ela assassina o próprio juízo. De fato, já louca de amores, não dava mais importância às conveniências sociais. Correndo os riscos de sua decisão impulsiva, ela gozou dos prazeres do amor. No entanto, dessa vez foi ela a ser a vítima de um homicídio. Crime qualificado e conspiratório. Não foi ela a sujar as mãos. A saudade, ao invés de morta, matou.

.sofás brancos na cidade.

Publicado: 23 de abril de 2010 em Uncategorized

.hoje o dia amanheceu chuvoso. após descarregar toda a minha raiva e adrenalina matinal pós-desjejum em um surto de pura violência psicopática, eis que  estava eu com meus pensamentos de vingança dentro do ônibus, quando, de repente, minha sorte dá mais um tropeço de arrancar o chaboque do dedão do pé.

.bem que eu tinha achado que era sorte demais a minha encontrar um Circular vago no horário das 8hs. eu estava feliz por poder finalmente ir ao jornal sentada. doce ilusão. no meio de meus pensamentos profanos de matar um, o ônibus enguiça e dá o prego. o motorista: “tá sem embreagem. vocês vão ter que descer e pegar o próximo”. ah, tá brincando comigo!

.no entanto, como eu já tinha feito a sessão do descarrego do dia, eu já nem tinha “forças ocultas” suficientes para fazer “aquele rebuliço”. desci elegantemente, linda e loira, para esperar o próximo ônibus. para minha surpresa, um fato surreal em plena rua de Fortaleza. um sofá no ponto do ônibus. até aí tudo bem. é até bem confortável esperar o coletivo sentado num. para minha sorte o Circular veio vaguinho, vaguinho e pude ir sentada decentemente num confortável banco.

.no meio do caminho, mais um fato maluco. outro sofá branco no meio da calçada e, dessa vez, habitado por um estranho que lia um livro como se estivesse na sala da própria casa, nem ligando para quem passasse. que maluquice!. pensei.

.quando cheguei à parada do jornal, pasmem! mais um sofá branco na praça. e com um indivíduo lendo. será que eu tô ficando maluca, mesmo? será que só eu estava vendo aquela marmota? sei não. o misto de curiosodade e inveja (sim, eu também queria parar ali e ficar lendo sem me preocupar com o resto do mundo) invadiu minha mente e tomou o espaço dos pensamentos vingativos que me perseguiam. no entando, logo passou e eu não desisti. vingança é um prato que se come frio. degustando com elegante maldade. mas e esses sofás? que cargas d’água estavam fazendo ali? traz a camisa de força e a sertra, pelamordedeus!

.ps.: ao perguntar para outros indivíduos se tinham visto algum dos sofás…nenhuma resposta foi positiva. estou ficando com medo. ou estou tendo alucinações devido à drogas (que eu nem uso) ou estou realmente sofrendo de uma esquizofrenia aguda. medo.alguém diga, por favor, que também viu.

.a maçã da vida.

Publicado: 22 de abril de 2010 em Uncategorized

.olhou para o relógio prateado no braço esquerdo. 17h53min. o sol não tinha mais força, mas deixou nela os males do calor. ainda levava na cara uns olhos cansados. a pele brilhava de suor e isso a deixava desconfortável. envergonhada, até. a essa hora, não havia mais nada a fazer. sentou-se então em um banco para ver o tempo passar.

.dois minutos depois, um senhorzinho pediu licença e sentou-se ao seu lado. aquela presença a incomodou. queria ficar só. no entanto, o que poderia fazer? o banco era público e o homem deveria ter seus mais de 60 anos.
.apesar da idade avançada, ele trazia uma pele tão lisa quanto a de um bebê. os cabelos puxavam mais para os brancos, mas o sorriso estampado na cara era de um jovem e galante adolescente. tinha uma face simpática, o velhinho. até as roupas de linho em tons pasteis, faziam-no parecer mais novo. apenas a sandália de couro  com uma meia grossa por dentro, não reforçava muito seu bom gosto. denunciavam um certo “quê” de velhice.

.começou a olhá-la fixamente e isso só aumentou o incômodo que sentia. foi então que ele disse: “sabe…as pessoas são muito interessantes”. ela ficou intrigada com a constatação nonsense do senhorzinho e perguntou por quê. e esse foi somente o mote para um longo monólogo que entrou pela noite.

.”ah, minha filha. basta sentar aqui por alguns instantes para notar. imagina eu que passo metade do meu dia por aqui, observando as pessoas. sabe…deus fez uns seres muito complexos, estranhos, mas muito, muito fascinantes. cada característica, posso dizer pra você, tem diferentes pontos de vista. nunca é ruim, se você quiser. por que deus nunca fez ninguém pra ser mal. é só prestar atenção. se te chamarem de insensível, esse pode ser só um jeito de não deixar as coisas ruins tomarem conta de você, o que é muito bom. se te chamarem de teimosa. muito bem. pode ser sinônimo de persistente. já os egosístas, jamais podem ser condenados por baixa auto-estima. quem é irônico não é agressivo jamais usa da violência física. quem tem medo, nunca age por impulso, mas quem é impulsivo, não tem medo de ser feliz. quem é ciumento, ama demais. quem ama de menos é cauteloso. quem é distraído, é sonhador. quem é mentiroso entra nos sonhos e no mundo da fantasia. já aqueles chamados de rudes, são os que não toleram injustiça. os vaidosos nunca deixam de amar, mesmo que a si próprios. os impacientes não esperam a vida sentados num banco da praça. os preguiçosos não tem preça de viver. curtem o momento. ah…e os loucos…eles reinarão o reino dos céus. já viu gente normal ver anjo, luzes, sons de arpas? filha. todo mundo é muito bom. depende do ponto de vista. o negócio é escolher o seu Ângulo e encarar a vida. o único defeito que existe é ser meia-boca. ser médícre. passivo diante da vida. o que se tem a fazer é sair do muro. escolher a direita ou a esquerda. usar drogas ou ser careta. mas ser alguém.

.com essa palavras, o velho meteu a mão no bolso direito e, retirando dele um relógio, viu que já era tarde. não se sabe quão tarde era. só que para ele era tarde. talvez a mulher o esperasse. a filha, a amante. a morte. mas, com certeza, era uma mulher.

.levantou-se e, sem dizer adeus, saiu andando, até desaparecer na escuridão das árvores na pracinha. ela permaneceu sentada por alguns minutos com uma maça vermelha na mão. a maçã pulsava. de repente, um verme saiu do interior da fruta. num ímpeto de nojo, ela sentiu vontade de atirá-la com força no chão. no entanto, levou-a até a boca e mordeu-a com gosto, fazendo escorrer pela boca a seiva da vida.

.nove mulheres no meu sofá.

Publicado: 21 de abril de 2010 em Uncategorized

.há dias em que não há nada mais a fazer do que praguejar contra a sua própria personaliade borderline. aqueles dias em que a única coisa que você deseja é um pouco de estabilidade emocional que, consequentemente te deixa derrubada fisicamente. parecendo velha na menopausa. abusada, histérica, calorenta e cheia de dor.

.hoje eu estou uma bomba-relógio prestes a explodir. o pior de tudo é que essa bomba explode de 5 em 5 minutos. e sai de baixo! mas isso dá uma canseira que só eu sei! uma vontade de dormir e só acordar amanhã, quando meu humor talvez esteja bem melhor. vontade de não fazer nada. apenas estalar os dedos e fugir pra qualquer lugar.

.hoje estou (pra variar) sem paciência para o mundo e, muito menos, para as pessoas. naqueles dias em que um simples bom dia! pode fazer eu mandar alguém à merda! ainda bem que hoje é feriado e eu tô na jaula, enclausurada, sem contato físico com qualquer outro indivíduo. cuidado. posso morder alguém hoje.

.muito mais que morder, eu posso ferir alguém de uma maneira muito pior. ferir na alma. com palavras duras. hoje eu não posso ver ninguém. não sou companhia que se queira, nem amiga, nem narorada, nem nada. hoje eu sou uma escritorazinha fim de carreira mal-humorada.

hoje vou chorar por qualquer coisa. nem vou rir mais de estar numa topic lotada, nem de ter pego o ônibus errado e chegado atrasada no jornal. não sei. umas mulheres vieram me visitar, muito bonitas, mas também estranhas, maldosas. sentaram no meu sofá, comeram da minha comida e disseram que vão fazer um pernoite. estou certa de que estou parecendo mais a casa da mãe joana. sem dono, sem lei, sem a mínima moral. e lá estão elas sentadas a me olhar. a melancolia, a angústia, a saudade, a dor, a vontade, a desilusão, a saudade, a ira e a mediocridade. todas mulheres da mesma laia. lacraias sem coração.