Arquivo de fevereiro, 2010

.petite grenouille.

Publicado: 27 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.um dia, um certo moço me contou uma história muito interessante. eu, que tenho um quê de alice no país das maravilhas, fiquei pensando no que eu ouvi. aos olhos da maioria, pareceria absurdo, mas eu sempre acreditei no imponderável.  (rs). seria possível alguém acreditar que, ao beijar pequenas rãs, pudesse encontrar o verdadeiro amor? assim ele me falou. de acordo com as lendas e contos de fadas da literatura francesa, os pequenos anfíbios são fontes de magia. aquele que beijar a rãzinha certa, irá transformá-la em uma princesa, do mesmo jeito ao qual estamos acotumados a ouvir com os sapos e príncipes. assim, ele me revelou ter beijado uma penca de pequenas rãs à procura da outra metade da laranja. confesso que achei engraçado. vai ver aqueles pedaços de mar acreditavam mesmo em contos de fadas. e, ao som de  Georges Brassens, ele me contou (sem saber) umas outras coisas que mudaram os rumos da vida. imaginei les amoureux des bancs publiques e não mais parei. ao recitar Rimbaud, fez-me fechar os olhos e entrar em outro mundo. talvez um conto de fada com ou sem final feliz. sempre tive fascínio por histórias fantásticas.

Sensation

Par les soirs bleus d’été, j’irai dans les sentiers,

Picoté par les blés, fouler l’herbe menue:

Rêveur, j’en sentirai la fraîcheur à mes pieds.

Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien

Mais l’amour infini me montera dans l’âme,

Et j’irai loin, bien loin, comme un bohémien,

Par la Nature, – heureux comme avec une femme.

(Rimbaud)

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.hombres tontos x mujeres locas

Publicado: 26 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.ontem estava discutindo com uns amigos as diferenças comportamentas homens/mulher. vocês têm dúvida de que o assunto rendeu? óbvio que não, né? ainda bem que nós (mulheres) estávamos em maioria.

. e olhem se não concordam que pro homem tudo é simples e que eles se fazem de desentendidos? pra eles tudo está bom. nós mulheres, sempre insatisfeitas e querendo mais, somos consideradas reclamonas. mas é pecado querer mais emoção? homem é muito “devagar”. outra coisa: homem não consegue fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. tudo bem que, às vezes, isso é bom, pois possibilita que eles sejam mais atentos, e nós, distraídas. Mas, pode ser uma vantagem pra nós quanto a vida insiste que sejamos a tal da “mulher moderna”. aí a gente escreve no computador, atende telefone, escuta o chefe pedindo ajuda, etc e tal. é assim, mulher é multiuso.

.mulher adora falar. discutir relação. homem foge disso. mulher enfrenta dor na boa. homem é fraco. já pensou homem tendo um filho?? até mesmo dor de amor..olha se as mulheres se matam se um namorado as deixa….os índices de suicídio masculinos são muito maiores.

.é bem verdade que não temos um senso de direção nem distância muito bons.  por isso eles levam vantagem no volante. mas, em compensação, somos bem mais atentas aos detalhes. lemos a linguagem corporal (que o homem nunca entende) e isso dos nos faz anos luz a frente deles. sabe quando uma mulher conversa com alguém…ela é capaz de prestar atenção em cada detalhe. tudo quer dizer alguma coisa. modo de se vestir, de andar, de olhar pra gente, de piscar, de movimentar mãos, braços e pernas. tuuuudo, tudo mesmo pode ajudar a decifrar quem uma pessoa é. e somos craques nisso. não adianta querer enganar uma mulher durante muito tempo. não conseguirá.

. por fim, a mentira. homem não sabe mentir. mulher é expert. a gente sabe quando mentem. tudo bem que às vezes somos paranóicas em relação à tudo, mas podem ter certeza de que não é em vão. homem trai por que é ‘homem’ e quer se divertir. afinal, só pensam em sexo. mulher não. trai por que gosta de outro. nessa ocasião…os homens estão em maus lençóis.

.liberdade infantil.

Publicado: 23 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.todos os dias eu agradeço ao papai do céu por que ele não inventou gente que lê pensamento. já pensou? eu estaria numa enrascada. de repente eu me pego pensando em cada coisa…xingar o povo em pensamento é o de menos. mas, dos meus pensamentos mais “inocentes”, hoje eu pensei em como é intrigante as regras sociais criança/adulto. ser criança é tão bom. já percebeu que toda criança não anda, corre. e ninguém diz nada. mas quando a gente cresce, todo mundo diz, se comporta, uma moça não sai por aí correndo, muito menos saltitando (que mal há nisso?). quando a gente é criança anda de vestido sem se preocupar se vai dar brecha (rs). quando cresce é: senta direito, menina. cruza as pernas! criança come de boca aberta. nunca sai limpa de uma refeição e ninguém recrimina. mas se a gente tem uns anos a mais nas costas, tem que comer que nem uma lady francesa. sem fazer barulho nem sujeira. nao pode tomar banho de chuva (eu tomo e não tô nem vendo). criança sempre diz que quer crescer para ter a liberdade de fazer as coisas dos adultos. mal sabem eles o quanto estamos presos em nós. criança é que é mesmo livre. sempre vai ter a desculpa de ser criança. por isso que eu continuo me sujando quando tomo sorvete, me esbarrando em qualquer lugar, e distraída. acho que minha mãe não me ensinou direito a atravessar a rua. sou um perigo ambulante.

.mãos.

Publicado: 22 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.vou confessar outro segredinho sujo, só que esse é mais secreto: adooooooro mãos. poisé….podia ser pescoço, braço, abdômen, mas pra mim as mãos tem uma coisa diferente. tudo bem que eu sempre me liguei em cabelo, mas juro que, umas mãos bonitas valem mais que 10 cabeludos.  eu sempre tive uns gostos estranhos mesmo. o moço não pode ter o hábito de comer queratina, por que unhas ruídas são brochantes. também não deve ter unhas pintadas por que isso é um tanto quanto duvidoso. mãos nem tão pequenas nem tão grandes. nem cabeludas. mãos macias mas com pegada, ou seja, tem que ser uma mão que saiba fazer carinho, mas que também segure  a gente com segurança. nada como um cafuné bem feito ou segurar uma mão forte. e quando as mãos estão suadas penso (será que ele gosta de mim?). e se, além das mãos…aquela pessoa tem aquele cheiro que carimba a sua memória de forma a ser inesquecível, é batata. paixão na certa. 2 anos depois e, se você encontrar alguém usando o mesmo perfume, seu coração acelera e você fica feito boba lembrando daquelas mãos…aiai…tenho que parar de pensar nisso. de repente eu senti um cheiro e lembrei de umas mãos que vou te contar………

.síndrome do telefone.

Publicado: 21 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.vou revelar um segredo nem tão secreto assim: nunca me dei bem com telefones. seja fixo ou móvel, não tem jeito. nunca consigo falar do jeito que eu penso. a voz não sai direito. eu fico quase uma lady gaga, se é que vocês me entendem. falo tudo trocado e esqueço o que ia dizer. falo o que ia esquecer. ou seja, me enrolo toda. eu e o telefone nunca tivemos uma boa relação. não sei se é algum trauma, mas não tem coisa pior do que quando você está realmente se esforçando para falar tudo direitinho. dá todas as indicações. não faltou nada e você acha que foi tudo perfeito e o fulano, do outro lado da linha, solta: “como é? não entendi nada. fala mais alto.” isso é brochante, mas minha mãe é craque nisso. quando o telefone toca eu finjo que não é comigo. que atendam, não estou aqui. peixos. o pior é quando o telefonema é pra mim. aí não tem jeito. não tem pra onde fugir. mais uma vergonha. e quando é o aniversário? todo mundo te ligando. relacionamentos amorosos pra mim  nunca serão daqueles de passar horas com o ouvido no aparelho dizendo mil juras de amor. prefiro os torpedos. sempre fui melhor escrevendo. tá isso é uma limitação. talvez até uma doença. tem doença de tudo quanto é jeito…deve ter quem sabe…uma síndrome do telefone ou pânico na linha. sei lá. mas isso não tem nada a ver com trotes nem com a samara do chamado. deve ser psicológico. (rs). tuuuuudo é psicológico, afinal. sei que estou em tratamento de choque. nem que eu não queira estou tendo que aprender a falar no telefone. fazendo entrevistas e falando com gente estranha. atendendo aos telefonemas do alõ redação. o mais engraçado é a ironia do destino. dia desses…imaginem a cena…eu, que tenho pânico e telefone, com dois aparelhos ao mesmo tempo. um em cada ouvido, que nem barata tonta com duas pessoas me chamando do outro lado da linha. tragicômico. quem diria.

.poorlifestyle.

Publicado: 19 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.uma conversas estranhas na internet me fizeram refletir sobre a minha existência pobre. eu nasci pobre. minha pobreza vem desde meus avós, acho. mas o que é mesmo pobreza? se pobreza=ser duro e não ter bufunfa, eu sou pobre, e com prazer. agora pobreza de espírito…essa não tem vez comigo. nesse aspecto sou muito rica. milionária. sabe…ser pobre, pra mim, é um estilo de vida que eu não pretendo mudar. tipo..andar de ônibus. eu adoro calor humano. também não tenho que me preocupar com estacionamento, engrrafamento, nem com dirigir. e eu viajo na maionese, leio, rio das marmotas que vejo. é feliz. comida de pobre…venhamos e convenhamos, é a melhor. adoooooro pão com ovo, farofa e frango assado. comer frango com a mão, então….lamber a clássica tampa do iogurte…delícia! fruta roubada…doce caseiro, biscoito de polvilho. bolo de macaxeira. fazer barulho com canudo. sou pobre. é fato. também não me preocupar com sequestros relãmpagos também é ótimo. quem quer sequestrar um pobre? e o ipva do carro? o seguro? nem tchuiú. pra que casa grande? dá mais trabalho pra limpar. pra que comprar um bocado de buginganga se eu não consigo passar mais que meia hora fazendo a mesma coisa? dê-me um livro, papel e caneta e um computador (que todo pobre hoje tem) que eu estou só felicidade. o segredo, meus amores, eu vou falar. é sem um pobre com estilo, classe e elegância. é ser um pobre letrado, culto e educado. porque pobre não é sinõnimo de burro nem de mal-educado. por que eu adoro comida de pobre, mas sei toda a etiqueta francesa. por que eu adoro forró pé de serra, mas também sou louca por sinatra. por que eu dificilmente uso roupa de ” marca”, mas sei me vestir no estilo. por que eu leio martha medeiros, mas também piro no Nietzche. por que, meus queridos…para ser um pobre que sabe curtir a vida, basta ser inteligente, esperto e, principalmente ter os amigos certos e aproveitar as oportunidades. por que eu sou pobre e jantei no praça de são lourenço com o dentista do luciano huck em são paulo de grátis! por que ser pobre é não ter frescura e aproveitar avida e ser feliz com pouco. e viva o poorlifestyle!

.autoanálise amorosa.

Publicado: 18 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.estava hoje buscando voltar à minha infância. uma espécie de regressão auto-didata. tudo isso para tentar entender o que me fez essa pessoa que vos escreve. como diria martha medeiros, foi quase uma terapia de grupo. (rs). não lembrei de muita coisa, confesso. pelo menos não de muita coisa relevante. só que eu era uma criança gordinha, engraçada, nerd e com uma risada quase obscena. eu era popular, sabiam? (rs). daí eu lembrei queeu adorava contos de fada e que eu acreditava no tal AMOR com letras maiúsculas. meu primeiro amor foi assim. passei quase 10 anos gostando da mesma pessoa. pena que foi amor platônico. nem um beijinho sequer. e não me leiam com essa cara. é verdade. a gente era amigo demais pra outras coisas. outra confissão: só depois que eu entrei na faculdade que eu cai no submundo das paixões arrebatadoras. e junto com as paixonites vieram as desilusões. como diria o BAMBAM: faz paRte! (rs). no fim, não me apeguei a ninguém e ninguém a mim. o que sobraram foram alguns corações partidos, incluindo o meu (muitas vezes, por sinal). tudo isso foi fazendo o AMOR com letras maiúsculas ficar beeeeeeem distante. pelo menos da minha cabeça. se ele existia, haviam esquecido de me incluir na sua rota de passagem. posso dizer que depois do primeiro amor (aquele que a gente nunca esquece), só me apaixonei de verdade uma vez e pude comprovar que o ódio realmente está bem perto do amor. são irmãos. meio caim e abel. e isso não é despeito, tá!? e olha que essa história toda é só da minha “vida amorosa”, imagina o resto. sei que, durante muito tempo fiquei mei descrente em todos os sentidos. confesso que eu e deus andamos meio brigados, mas estamos fazendo as pazes. mas a minha sorte…essa foi toda pro jogo. no amor que é bom…nada! aí…a gente vai vivendo. achando que tá fazendo certo e só encontrando o errado. e quando encontra o certo, faz o errado. ô nóis complicadas! mas…no fim disso tudo…andei pensando…na minha pseudo-regressão, que não adianta fingir nem lutar contra o que somos. eu ainda não sei direito o que sou, mas sei, pelo menos, sei que continuo querendo o tal das letras maiúsculas. aquele que a gente vê no Casa Blanca, no comercial de margarina, mas também com direito a defeitos, brigas, dramas, separações, reconciliações, saudades, ciúmes, vontade de matar, de abraçar e pedir perdão. sou mesmo uma careta, ora! nunca disse o contrário.

.aparências de nós.

Publicado: 17 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.sempre dizem que as aparências enganam. não sei. às vezes sim, às vezes não. por que também dizem que a primeira impressão é a que fica, né? por que os ditados se contradizem? hm… mas se as aparências enganam e a primeira impressão é a que fica, isso me faz chegar a conclusão de que as pessoas nunca vão te conhecer do jeito que você realmente é. sempre vão ter um personagem elaborado em suas mentes insanas. e eu…eu posso não ser essa antipática que a maioria vê na primeira impressão. (será que eu estõu tentando me enganar?). ah, mas essa é a lógica da questão, não é verdade? hm…mas se todos temos nossas cabeças habitadas por personagens, que personagem serei eu? quais personagens serei eu? louca? psicopata? teimosa? revolucionária? tímida? menina malvada? menina bobinha? chorona? auto-suficiente? carente? caixa de surpresas… são tantos que nos habitam que poderiamos nos vertir de alguém todos os dias. e não é assim que a gente faz? eu em casa, eu no jornal, eu na faculdade, eu no cinema, eu no barzinho, eu na casa da minha tia, eu no restaurante, eu na padaria. digam. digam vocês…quem vocês pensam que sou eu?

.a história do padre.

Publicado: 15 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.nunca gostei de carnaval. é fato. a única coisa que me deixa feliz é ter uns dias e folga com a cidade vazia. isso pode parecer meio egoísta de minha parte, mas fazer o que? eu nunca fui de esconder meus sentimentos mesquinhos. bem, isso nao tem nada a ver com o que eu ia falar, então, voltemos ao assunto.

.estou eu por aqui, com a casa toda só pra mim, pensando na morte da bezerra e eis que me lembro (não me pergunte por que) de uma história cômica  durante minha última viagem (SP). o contexto era o seguinte: 3 mulheres solteiras ( eu, juliana e a outra a quem vou denominar Vítima, para resguardar a sua identidade, afinal, a história vergonhosa é dela mesma) num restaurante japonês de São Paulo. gulosas que somos, atacamos de rodízio de sushi. entre um rolinho primavera e outro, as pessoas começam a se revelar. segredos mais íntimos viram pauta do que começou como um incocente jantarzinho. olha que nem precisou de bebida alcoólica. esses orientais, viu? vo te contar!

.pra começo de conversa nós 3 nunca nos tínhamos visto mais gordas na vida. nos conhecíamos há um pouco mais de 5 horas e conversávamos como se fôssemos confidentes há anos. juliana, a mais desbocada, enumerou cada uma de suas relações amorosas, dentre paulistas e estrangeiros. ela colecionava  nacionalidades. digamos que ela era mesmo cosmopolita. ficas, namoridos, amigo que, quando a carência batia ela convidava para dormir na sua casa. enfim, juliana é uma paulistana moderna com quase 30 anos que mora sozinha e é dona do eu próprio nariz.

.sempre mais fechada, eu não soltei muita coisa. também..queria o que? que eu saísse contando minha vida particular pa duas estranhas? tenha dó! falei das últimas desilusões. certo. a pauta era: homens são cafagestes mas a gente gosta. (rs). bem…eu não to muito direta hoje. o centro da questão era ahistória daVítima.

.uma curitibana mais recatada do que eu com quase 30 anos que fazia 2 anos tinha termindo um noivado. dizia ela que não gostava mais do tal falecido. e parece que não gostava  mesmo, por que na vida dela, agora, só tinha lugar para um outro. um homem mais velho, com cerca de 45 anos que trabalhava no mesmo jornal. muito inteligente, instruído, sensível. ser superior. está aí o grande detalhe: o homem era um ex-padre-gay-virgem. ou pelo menos, a sua sexualidade e virgindade eram bastante discutidas, mas sem nenhum veredicto concreto.

.ela se apaixonou pelo homem que, segundo ela, era puro e casto. os dias iam passando e ela não conseguia mais disfarçar o que sentia pelo ex-padre. ela simplesmente se dirigia à ilha dele e lhe dava um beijo na bochecha. todos na redação já comentavam a triste história da coitada. o homem a evitava. tinha medo, o coitado. um dia, ela se encheu de coragem e o fez entrar no carro dela. lá ela se declarou e o cara, nem tchuiú! disse que ela era muito nova, que ele não pensava mais nessas coisas. que a vida dele era o trabalho, etc e tal. um fora. um fora com elegância, porém, nada mais do que um clássico fora. eu, sinceramente, prefiro aqueles foras bem diretos, que é pra gente ficar logo com raiva do fulano e não querer nem olhar mais. mas no caso dela, a negativa só isntigou a paixão. sei que a coitada virou tão católica que até novena ela fez pra conquistar o padre. segundo o tal ritual, ela tinha que ganhar, ao fim da novena, uma flor branca de qualquer pessoa. diz ela que, já sem esperanças, ganhou uma rosa branca de um fanelinha. era um milagre? só deus sabe. sei que ela deixou a rosa secar e deu pro padre  dntro de um saquinho dizendo que a novena tinha outros fins que não eram amorosos. pra mim isso tá parecendo mais mandinga, mas sei que, segundo ela, o padre guarda o saquinho até hoje.

.e a Vitíma só tem olhos pro ex-padre. deipois que ela encostou ele na parede, o coitado nunca mais quis ficar a sós com ela. convite pra cinema, almoço, jantar. sempre negativa. o homem realmente tinha medo da mulher. um dia ele emprestou um livro pra ela, que foi a casa dele devolver (pretexto, óbvio). pra infelicidade geral da nação, o santíssimo não tava lá. só o irmão dele que a deixou à vontade no seus santos aposentos. e ela se aproveitou mesmo. deitou na cama do padre, olhou os pertences, cheirou os lençóis, as roupas e, se duvidas até o chulé (que ela deve ter achado bom). sei que nessa hora da conversa eu não aguentei e começei a rir. história tragicômica. de vez em quando eu parava e olhava e ela estava assim voando na maionese, pensando na morte da bezerra. não. era no padre mesmo. tenho certeza. ela estava mesmo era doida pra voltar. sei que a juliana , doida como era, encerrou a história: menina, cê tem é que agarrar logo esse padre e tascar logo um beijo nele. vai ver ele até gosta da fruta e não sabe! só assim voê tira a dúvida. é…uma proposta indecente. será isso pecado? sedução de padres indefesos. não sei, mas tem caroço nesse angu. esse padre tem algum “problema”, mas não sou eu quem tem que se preocupar. ou ela converte o padre pro mundo do pecado ou traumatiza o coitado de vez. “será que ele é gay? virgem? virgem-gay? ou é doido mesmo?

.tristeza permitida (martha medeiros).

Publicado: 4 de fevereiro de 2010 em Uncategorized

.por hoje me permitirei usar a fala de outro alguém, por que a martha medeiros parece que é outra parte de mim.
Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.