Arquivo de janeiro, 2010

.feliz aniversário.

Publicado: 31 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.para mim, óbvio. hoje completo 21 anos. estou ficando velha, mas, às vezes penso que tem uma criança aqui que é imortal, que nem peter pan, só que em versão feminina. confesso que nunca gostei muito dessa data e sempre desejei que pulassem ela no calendário da minha vida. decepções, lágrimas. mas hoje, tudo está para trás. acho que, finalmente, com os anos que ganhei, vieram também um pouco de sabedoria, novas formas de enxergar o mundo e as pessoas. apesar de nem tudo ser perfeito (nunca é), está tudo mais calmo. estou bem. quase bem. vou ficar bem. a vida é coisa doida, mas acho que, no fundo eu gosto dela e nos damos bem. ganhei presentes…mas a presença de algumas pessoas na minha vida foi o maior presente. tudo bem que o que eu menos gosto no meu aniversário é ficar que  nem secretária atendendo o telefone o dia inteiro. mas é isso mesmo. apesar de eu não ter uma boa relação com telefones (nem eles comigo), é bom saber que a família e os amigos lembram da gente de longe. ontem paguei micos. me vestiram com uma peruca rosa e um chicotinho, mas me digam se a parte mais feliz da vida não é quando a gente paga mico? muito bolo e uns quilos a mais também de felicidade.

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.menina de olhos verdes.

Publicado: 26 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.talvez esteja aparecendo uma luzinha lá no fim do túnel. a menina de olhos verdes deve estar à espera. estou um pouco mais feliz. minha irmã vai chegar de viagem. nunca pensei que eu falaria isso. a gente não costumava se dar tão bem. mas o que a distância, a solidão e a saudade não fazem com a gente? amolecem nosso coração. voltei a desenhar. parece-me uma terapia quando estou nervosa. as coisas se acalmam e eu paro de pensar. é minha “meditação”. hoje fui a um lugar no qual nunca pensei que fosse voltar. a vida nunca é mesmo do jeito que a gente pensa que será. olhei o lugar. estava do mesmo jeito que eu havia deixado dois anos atrás. a poltrona à meia luz. o homem sério e calado a minha frente. mas, ao contrário do que era antes…me senti bem. foi a primeira vez que eu fiz tudo do jeito que eu queria. acho que “cresci”, afinal. também finalmente falei coisas que haviam ficado pendentes para uma outra pessoa. não que o resultado tenha sido o esperado, mas pelo menos não foi de todo negativo. não vou desistir tão fácil dessa vez. vo lutar pelo que quero e pela minha felicidade. não vo também desistir de nenhum sonho. vo pra são paulo e…paris que me aguarde. vida…i’m back in red again.

.broken rules.

Publicado: 24 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.como é que pode a vida da gente ser desse jeito? de repente…tudo vira de cabeça pra baixo e toma rumos que a gente nunca pôde imaginar. por isso, digo que NUNCA é uma palavra muito forte. forte não. na verdade, muito fraca, pois pode ser derrubada assim, da noite para o dia.

.nas últimas 2 semanas infringi 3 dos meus regulamentos internos. só de ontem pra hoje, mais 1. por isso que eu sempre disse que, no fundo, não há regras, é que a gente se sente mais responsável fingindo que segue algumas. mas sabe aquele prazer que só se tem ao infringir regras? mesmo que ínfimas? é isso aí. cansei de ser uma pessoa certinha demais. sei que errar 3 vezes no mesmo ponto é semvergonhice, mas ultimamente tenho tirado a vergonha pra lavar. o segredo é mudar de estratégia. se você realmente quer uma coisa, beibe, tem que correr atrás, tem que ser cara de pau e tomar a iniciativa.ah, e eu já perdi muito tempo. e como a vida é curta e não se sabe o que vai acontecer daqui pra frente, melhor garantir a felicidade de hoje, mesmo que ela se transforme na tristeza do amanhã.

.remédio pra doido.

Publicado: 22 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.hoje me dei conta de que estou escrevendo compulsivamente. será mau sinal? maybe. sei que nunca postei tanto na vida e, geralmente isso acontece quanto os parafusos não estão lá essas coisas todas. enfim, não resisti novamente.

.senti uma vontade imensa de mudar algumas coisas. de estreitar laços, falar coisas antes não ditas, me apegar a algo, fazer coisas impensadas, cantar músicas nonsense, dançar, sair pra qualquer lugar, esquecer quem sou eu, de onde vim, e onde irei parar. deu uma vontade daquelas de virar a vida do avesso pra ver se, de repente, que nem televisão velha que a gente dá umas pancadas, as coisas vão para o lugar, e tudo volta a funcionar.

.houve uns momentos em que eu pensei que estava ficando meio maluca. (acho que todos temos esse momento, ou não? – vish!). não importa. sempre tem uma primeira vez para tudo. o problema é que eu descobri que no manual de convivência com um doido só tem dois passos. 1- Nunca contrarie um doido. 2- no caso de não seguimento do passo anterior o negócio é o seguinte: remédio para um doido é um doido mais doido ainda. se é que vossas senhorias me entendem. eu até tento o primeiro passo, só que a minha paciência é menor que anão de circo e eu acabo chegando no número 2. até que funciona, o problema (efeito colateral, como queiram), é que você pode se tornar o próximo doido da praça. não que ser doido não tenha suas vantagens, mas eu sempre achei mais seguro conservar um pouco de sanidade.

.alguém pode me dizer por que o tamanho dos meus parágrafos vai aumentando com o tempo? na verdade…acho que não estou seguindo nenhuma norma linguística, apenas as normas de uma  discreta falta de sentido. ora bolas. quem faz as regras desse negócio aqui sou eu. e eu não estou enrolando e não vou terminar por aqui. estou pensando ainda. hm…falando em loucura…amanhã farei uma pequena loucura. quem sabe…uma por dia, não cure esse meu excesso de “seriedade”? é. entre aspas mesmo. só pra contrariar eu vo deixar esse parágrafo menor. peixos.

“A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal” (raulzito)

“Creio que quase sempre é preciso um golpe de loucura para se construir um destino” (Marguerite)

“A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente.” (clarice)

“Oh, não se pode evitar”, disse o Gato, “todos são loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.”“Como sabe que eu sou louca?” indagou Alice.“Você deve ser”, respondeu o Gato, “ou então não teriavindo aqui.”Alice não achou que isso comprovava nada; todaviacontinuou: “E como você sabe que é louco?”“Para começar”, disse o Gato, “um cachorro não é louco.Concorda?”“Acho que sim”, respondeu Alice.“Bem”, prosseguiu o Gato, “você vê um cão rosnar quandoestá bravo, e abanar o rabo quando está feliz. Agora, eu rosnoquando estou feliz e balanço o rabo quando estou bravo. Logo,sou louco.”  (alice e o gato)

“A loucura mora tão perto que sinto o cheiro do seu feijão. bastaria tocar a campainha e ela me deixaria entrar, sentar no seu sofá, dormir na sua cama, ler o seu jornal” (martinha)

 

.agora sim, fico por aqui.

ps.: lembrei de um post antigo…

https://mondedamelie.wordpress.com/2009/10/01/vontade-de-mundo/

.mágica presença das estrelas.

Publicado: 21 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.podem me condenar por falar de mim. podem me condenar por dizer o que sinto. podem me condenar por não inventar qualquer narrativa feliz, de aventura, romance, comédia, drama ou morte. num dia de imensa tristeza, o que me resta senão escrever? deixem-me falar de mim. deixem que eu me exponha. já não me importo. deixem que eu sinta pelo menos o coforto de colocar nessas palavras tristes, um pouco do que sou agora. sem trocadilhos infames. sem humores negros. sem fingimentos. eu posso sorrir enquanto choro, sabia? eu posso falar de flores enquanto cravam-me os espinhos. é a lei da sobrevivência. mas, por hoje, só por hoje, deixem-me escrever esse auto-drama. deixem-me morrer por qualquer coisa, ser exagerada e triste e achar que tudo não faz sentido algum. realmente faz? de mais nada sei agora a não ser que a tristeza, hoje invadiu minha alma, escorregou pelos meus dedos e se traduziu nessas palavras que serão ignoradas, mas que, inesperadamente, me acalmaram. e daí? são minhas palavras. meus sentimentos. quem sabe…amanhã não será diferente? tantas vezes foi e eu ri de infâmias como as que escrevo agora. sei que hoje parece tudo muito longe, impossível. mas amanhã…amanhã, nem sei.

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
(Das utopias – Quintana)

.missão impossível 312: no rules.

Publicado: 20 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.sinceramente…é nessas horas que ser homem me parece bem mais vantajoso. MULHER COMPLICA TUDO. às vezes cansa. negoço de TPM e crise de mulherzinha é um saco, e, apesar de não querermos encarar os fatos, nenhuma mulher está livre. é beibe. nessas horas, só muita paciência. acabamos nos tornando nosso maior inimigo. por que colocamos obstáculos e problemas em tudo. vemos cabelo em ovo. piramos sozinhas, e, se pararmos para pensar racionalmente, sem motivos concretos. sabe quando a gente não sabe como agir? o que pensar? o que quer? o que sente? quando todo o nosso passado só serve para nos atrapalhar ao invés de nos ensinar algo? nesse jogo não há regras. por isso, não se pode reclamar, dizer que tá errado nem, muito menor, seguir qualquer manual de instrução. ai..eu que sempre tive horror em ler manuais, confesso que ando precisando de um desses pra salvar minha vida! por que a gente acaba criando nossas próprias regras e, sem nem mesmo sentir ou pensar, as infringimos com a maior cara de pau. sinceramente, cansei de tentar entender as coisas. de tentar entender esse jogo maluco e sem sentido.  paranóias, paranóica. o sistema entra literalmente em pane. mais uma vez, não aprendo e me desestabilizo. tudo que eu queria fazer era deixar as coisas serem naturalmente normais. não pensar. mas será que isso é possível? a gente finge que é e ponto.

“I won’t hesitate no more, no more  
It cannot wait, I’m sure  
There’s no need to complicate, our time is short…”  

.coração de pedra.

Publicado: 19 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.não sei por que as pessoas sempre querem explicações lógicas para tudo. tem coisa que simplesmente não se pode denominar e, muito menos, dar detalhes de como, quando e por que acontecem. elas são assim e pronto. se houvesse uma explicação, dessas provadas por matemáticos, físicos e químicos, perderia a graça! se você realmente PRECISA de uma explicação para viver…aconselho as mais criativas. não sabe? invente uma, ora! quem foi que disse que coisas fantásticas não acontecem? quem disse que tudo precisa ser logicamente testado e aprovado? eu acredito. ponto. cada um tem seu mundo. relacionar-se com as pessoas é provar um pouquinho do mundo alheio e, se gostar, a gente passa um tempinho viajando por lá. entre sorrisos e devaneios, se aprende muita coisa. eu não sou assim, chata e complicada por que meu coração é de pedra. a explicação é simples. pra entrar no meu mundo tem que ser portador (a) de uma chave. essa chave só se pode conseguir com um chaveiro, chamado Tempo. o problema é que o Tempo é um pouco temperamental e imprevisível. munido de grande e brava persistência, pode-se chegar lá. porém, mas uma vez entramos na questão. não há regras, nem certezas. não há explicações. tudo isso pode se inverter. ainda bem, por que o mundo seria muito chato se tudo fosse previsivelmente premeditado.

.dente de leite.

Publicado: 18 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.o ontem era somente mais um chato domingo, dia que não passa da espera pela segunda-feira. foi quando, ao rever objetos de uma passado, às vezes nem tão distante,  mergulhei em um mundo paralelo, cheio de lembranças da criança que (acreditem!) eu já fui.

.dentro de uma pequena caixa estava um  tubinho opaco de plástico. chacoalhei o objeto e pude ouvir um barulhinho que indicava algo lá dentro. curiosa que sou, é claro que não deixei de abrir e, para a minha surpresa, estava lá um pequenino dente de leite. mais precisamente um canino. aquele que cresce nos vampiros.

.achei engraçado aquilo. terei eu guardado, ou terá sido coisa de minha mãe? era tão pequeno o dente. tão bonitinho. começei a imaginar-me quando aquele dentinho aindafazia parte de minha boca. quando o mundo era muito mais simples para mim. quando, não ser achada no pique esconde, ganhar um brinquedo novo e tomar um sorvete duplo era a maior felicidade que eu poderia desejar.

.pergunto-me por que as coisas eram tão diferentes. por que a minha rua parecia o mundo inteiro de tão grande. por que as pessoas pareciam mais gentis e belas. por que a felicidade parecia tão mais fácil de alcançar. acho que crescer dói um bocado. o mundo às vezes parece ter diminuído. tudo parece bem mais complicado, quando, por ter vivido tantos anos mais, eu deveria achar uma resolução relativamente simples para as coisas. não. acho que quando a gente cresce, fica, ou burro, ou cego. talvez os dois. ser criança, hoje, pareceu-me muito  inteligente. se tivesse hoje meus olhos de criança, seria mais fácil ver  a naturalidade das coisas, a magia da vida, a simplicidade de ser feliz. o que será que tanto a gente complica? ô saudade de quando meu mundo era uma floresta de fantasias a explorar! saudade de quando meus dentes eram de leite. minha criança parece ter se escondido, ou fui eu que a esqueci em algum lugar? ontem encontrei-a e me senti tão feliz por descobrir que, aqui dentro ela ainda habita e que, quando tudo estiver cinza e complicado demais, ela vai vir e pintar tudo colorido e, ao mostrar-lhe meus problemas, ela irá dizer: se quiser vai lá e faz. na dúvida, tira no par ou ímpar. vocês é que complicam demais! que tal um sorvete agora? ri de mim mesma. sou mesmo muito boba!

.o colibri e a lua.

Publicado: 17 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.sonhos, devaneios, semióticas e afins.

“o pequeno colibri bate as asas rapidamente. parece estar louco à procura de algo. tão pequenino, flutua por entre as flores. cheio de vida, dança no orvalho da manhã divina, feita à mão. como pode aquela avezinha tão ínfima diante do mundo com sonhos tão obscenos? não queria permanecer voando tão baixo, perto do chão. ah, mas suas asas são um tiquinho assim e não poderiam alcançar o céu. quem disse que não poderiam? o colibrizinho era teimoso por demais. foi assim que, um dia, ele subiu o mais alto que pôde.  já não tinha medo. ao invés de flores, beijou as estrelas, enamorou-se da lua. o que não se sabe é se foi ele que cresceu, ou se o céu tornou-se pequeno demais para os seus sonhos.

.foi então que ele viu um par de borboletas que cruzavam o céu em meio às estrelas. pareciam pétalas de flor que o vento tirara para dançar. tão alegres. tempos atrás, no entanto, não passavam de duas lagartas sem graça, lânguidas e pálidas.  então a primavera chegou e elas provaram o gosto de viver livres com suas asas coloridas, ligeiras e mimosas, castas e brincalhonas, a descobrir o mundo. ao ver as duas companheiras passarem, o pequeno colibri sentiu uma ponta de inveja. queria tanto seguir as borboletas, mas o coração traiu o pobre pássaro. prendera-o para sempre à lua. o preço era alto. ele prometera-lhe amor eterno, e aos pés da dama noturna permaneceu.”

.o tempo.

Publicado: 15 de janeiro de 2010 em Uncategorized

.o tempo não é uma coisa. o tempo é uma pessoa. eu sei. pior é que ele adora fazer travessuras. é genioso e, dependendo da sua vontade, passa correndo por entre nossas mãos. noutras vezes faz câmera lenta para nos deixar inquietos e elevar a pressão arterial.

.o tempo quer que a gente brinque com ele. aproveite cada pedaço do que ele nos oferece. mas, se a gente se faz de ocupada, ele fica despeitado e vira tudo de ponta-cabeça. e o tempo não aceita pedidos, ordens nem sugestões. o tempo faz tudo do jeito que quer. precisa-se de paciência. ah, a paciência. eu que odeio tanto esperar.

.o tempo faz de propósito. por vezes preciso, acelera a partida e a gente fica chupando o dedo. depois passa devagarinho, sorrateiro, safado! ele é amigo da saudade. eu sei. tempo, tempo, tempo. ele que dita as regras da vida.  que apaga, conserta e destrói as coisas. no fim, ele sempre muda tudo. chega a um ponto em que o que se tem a fazer é sentar na encruzilhada e esperar o momento no qual, quem sabe, nós consigamos alcançá-lo.