Arquivo de novembro, 2009

.andar de bicicleta.

Publicado: 30 de novembro de 2009 em Uncategorized

.hoje dei pra não pensar no futuro. engraçado. isso não acontece com muita frequencia. do contrário, deu-me uma vontade incontrolável de escrever. não sobre o passado ou sobre o futuro, mas sobre o presente. vontade de ser eu, de errar. comprei então um caderno. sem ilustrações, sem pautas, sem nada. apenas folhas em branco para que meus pensamentos pudessem correr soltos e livres pelas páginas virgens de meu caderno. sem medo ou censura. queria escrever e só. sem pretenções de artista. tendo como motivação apenas a paixão pelo papel, pela palavra, e, principalmente, o incontrolável desejo de me colocar lá dentro. minhas mãos tremiam de ansiedade. era a primeira vez em anos que eu escreveria novamente sobre mim em um pedaço de papel. medo? talvez. medo de me expor. de que os outros me vissem nua, por inteiro. porém, minha vida, nas voltas que deu, mostrou-me caminhos diferentes, mudou meus olhos sobre o mundo. hoje me livrei desse medo. nunca mais tive algo a esconder. não há somente uma pergunta que eu não responda com a verdade. a não ser que da resposta eu não tenha conhecimento. medo de me mostrar? vergonha de quem eu sou? não. não mais. nunca abandonei essa menina que me habita. que é boba à vezes. desconfiada.  medrosa. mas o que eu vou fazer com essa minha mania de autosuficiência? eu só quis escrever. só. sentir-me livre de novo. e, quem sabe, de vez em quando, desenhar, para ilustrar pensamentos por vezes tristes, noutras alegres, porém, na maioria delas, sem sentido. no fim…minha mão já não mais tremia. talvez escrever seja como andar de bicicleta. quando se aprende, jamais se esquece. mas eu nunca soube andar de bicicleta.

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.bebida universal.

Publicado: 29 de novembro de 2009 em Uncategorized

Eu e ele tínhamos uma forte ligação com o café que descobrimos assim, por acaso. Desde então o café me traz lembranças e o seu cheiro deixou de ter só cheiro de café. Ao cheiro de infância foi acrescentado um cheiro de saudade. Um gosto de beijo clandestino igualzinho ao da felicidade que a gente tanto quer e da qual tanto foge.

Assim comecei a pensar em café. O café sempre foi uma coisa que me inspirou bastante. Sejam os chiques e blasés cafés de Paris, seja o cafezinho no pequenino copo de plástico de uma sala de espera. Na companhia dessa bebida sempre temos histórias para contar.

Alguém já se perguntou o porquê quando queremos socializar com um amigo do trabalho, com um flerte ou com parentes, quase sempre os convidamos para um café? Fulano, quer um cafezinho? O café virou a bebida universal dos encontros. Do brinde à convivência e às relações interpessoais. Coisa boa é tomar aquele cafezinho na companhia de alguém especial!

Ah, e o cheirinho do café… Cheiro não, perfume, porque uma preciosidade dessas poderia ser engarrafada para que, quando sentíssemos vontade e uma saudade daquelas, pudéssemos dar uma cheiradinha e recordar os bons momentos que acompanharam um bom café. Porque café me lembra muito infância. Lembra bolo de milho da avó. Lembra pão quentinho com manteiga derretendo. Lembra encontros furtivos no intervalo do trabalho. Ah, nada melhor que café com chocolate!

Com açúcar, adoçante, amargo ou au lait. Com uma pitada de canela. Capuccino, cacau em pó, licor de amarula, calda de caramelo. Quente ou gelado. Ah, não existe bebida que supere o famoso e aconchegante café. Nunca é ruim. Até quando se está só, a bebida negra nos faz companhia e deixa o nosso dia mais feliz. Nada melhor do que começar a labuta diária com uma generosa xícara de café. Se não tiver, já fico de mau humor. Não adianta nem começar. Dia só é dia mesmo depois de apreciar essa iguaria.

Engraçado que em se tratando de café, não há rico nem pobre. O preço é acessível e o cafezinho é tão democrático que não escolhe classe social. Que humilde ele é. Claro que existem os cafés grã-finos, vindos do sul de um país desconhecido, ou coisa parecida. Mas tem também o bom e velho cafezinho brasileiro, torrado no fundo do quintal de um sítio não muito longe daqui. Mesmo no calor de um território tropical, lá está ele, nos proporcionando intenso prazer pela manhã (não por acaso nossa primeira refeição se chama café da manhã), após almoço, acompanhado de um cigarrinho, na hora da merenda. Também vale café no jantar.

O de boteco parece que tem um sabor diferente. É mais gostoso. Não sei se é paranóia minha ou se é aquele copinho de vidro costumeiramente usado para uma cervejinha gelada. Não sei. Sei que parece mais quente. Ah, por que se for café quente, tem que ser quente mesmo. Pelando a língua. Tem que ser aquele assoprado antes de se dar a primeira bebericada desconfiada. Depois se bebe com prazer. A fumaça entra pelo nariz que se embriaga com a essência dos deuses.

Disseram-me que foram os árabes que o inventaram. Para mim, não importa de quem é a patente do café. Só peço a Deus todas as manhãs que nunca acabe a fonte do meu prazer diário. Porque para chegar aos 50 sendo jornalista eu tinha que arrumar um vício e meu vício alternativo foi o café. Ele que acompanha a leitura de um bom livro, que me dá pretexto pra ser descarada e convidar alguém pra sair. Que me faz ter sonhos, que me inebria. Oh, deus, nunca me deixa faltar esse líquido. Conserva-o assim: bem docinho, quente, forte, pretinho e bom de cheirar.

.não sei brincar.

Publicado: 24 de novembro de 2009 em Uncategorized

.ainda bem que eu nunca liguei muito quando me chamaram de louca. na verdade, eu até gosto quando isso acontece. sinto-me diferente desses seres que me cercam, sei lá. ultimamente dei pra ser chamada de fria e calculista. de louca passei a ser psicopata. dei um up, não? pelo menos subir nos degraus da loucura tem seu lado positivo a ser considerado.

.não por acaso lembrei de uma garota. ela era bonitinha. de longe, parecia bem normal. o problema era que, simplesmente, ela não sabia amar. diziam que ela se apaixonava tão facilmente quanto se desapaixonava.  acusavam-na falando que o amor parecia para ela um brinquedo. mas não era que ela enjoasse dele. ela só não sabia brincar.

.sempre comentam que a gente não nasce sabendo. mas existe alguém realmente disposto a ensinar alguém a amar, ou simplesmente a aprender junto? não se aprende só e quem não sabe, erra. não é óbvio? teve uma vez que ela deixou de ter medo e resolveu tentar aprender. mais uma vez o professor a fez desistir. então ela cansou. resolveu deixar essa coisa de amor de lado. “se eu não sei, também não quero mais brincar”, pensou. foi brincar então de outra coisa pra ver se o tempo da vida passava mais rápido. 

. foi aí que eu pensei que também não sei brincar com as pessoas. elas também são brinquedos muito complicados. ah, e a vida é um jogo tão simples!

.canção onírica.

Publicado: 22 de novembro de 2009 em Uncategorized

Sentiu-se ridícula. Em todos os sentidos, ridícula. Cabelo, roupa, batom. Ela era ridícula. Fazer alguém sentir vergonha de si mesmo é a pior das maldades. O pior dos castigos. O mesmo que prender esse alguém dentro de si mesmo. Queria ela revelar-se e não deixaram. Morreu. Foi pra casa. Cara borrada. Roupa suja. Sem sapatos. Gata borralheira. Não. Faz tempo que não acreditava mais em contos de fadas. Sabe quando se fica com uma musica na cabeça e ela não quer mais sair? Nem no sonho ela te deixa em paz. Foi assim. Ela adormeceu de cansaço, de tristeza. Não mais sentia dor. O coração estava como que anestesiado. Parado no breve espaço de tempo de um sonho. Foi lá dentro que a música ecoou. Acordou a cantarolar. De onde vinha? Não sabia. Há tempos não a escutava. Talvez desde a infância. Tinha um sorriso alegre nos olhos. Eles estavam inchados. Frutos de uma noite de lágrimas. Porém, das duas pequeninas bilas esverdeadas, exalava uma tranqüilidade incomum. Sentiu um abraço morno a envolver-lhe. Estranho, porém gostoso. Continuava a cantarolar a música. Não mais em pensamento. Estava terrivelmente faminta. Foi então preparar um café-da-manhã. Os vizinhos, da janela, podiam vê-la dançando.

.roube a vida.

Publicado: 14 de novembro de 2009 em Uncategorized
caderno2

.agora que começei a escrever.

“se você quer a vida, roube uma”. ultimamente estou roubando a minha. não estou tomando ela de volta. estou realmente roubando uma nova em folha pra mim. tudo novo. estágio novo. pessoas novas (sem deixar os queridos e velhos amigos de lado, óbvio). lugares novos. experiências novas. objetos novos. pensamentos novos. novas ações. de vez em quando umas lembranças saudosas invadem meus pensamentos, porém, logo elas vão embora, como fantasmas que nos visitam durante a noite. é só acender as luzes e eles desaparecem. estar sozinha consigo mesma pode parecer redundante, porém, às vezes é essencial. coisa boa é não se predender a nada. não chorar e ser livre. não se preocupar com o que vai vestir, pra onde vai, como e quando. poder fazer tudo ao seu próprio gosto.

.brincadeira.

Publicado: 8 de novembro de 2009 em Uncategorized

953412b0a234a3eb283affd84a0ab1ee968d7048.novamente minha distraida pessoa esqueceu ou não teve tempo de passar por aqui. mas antes tarde do que nunca e aquí estoy yo. Vida loca vida! (rs). num é que é mesmo? por isso que eu gosto da vida. os dias passam. nunca são iguais aos outros. tudo bem que alguns são bem ruins e poderiam ser apagados da memória, porém eles nos servem de alguma coisa. nos fazem amadurecer (por isso a idade mental avançada) e saber o que não se quer (ou não). ainda bem que fizeram também os dias prósperos e risonhos. infantis e descompromissados. aqueles que nos deixam de alma leve. dizem que a gente só tem inspiração pra esquever quando está triste. será por isso que não tenho escrevido com a frequencia anterior? pode ser até que tenha fundamento. porém, acho que escrever ainda é a melhor forma de abrir o coração. feliz ou triste. não importa. uma calmaria, ( mansidão até) chegou por aqui. uns riso infantil e descompromissado. uma brincadeira prazeirosa de ser feliz que não largo mais.

.meu poeta.

Publicado: 4 de novembro de 2009 em Uncategorized

. incrivelmente li essa crônica no sábado (de drummond)…e meu grande mestre inspirador não faz muitas horas leu-a durante uma de suas primorosas e inesquecíveis aulas.. Transmissão de pensamento? DEstino? sei não. sei que coincidência não foi.1000imagensCA39J6XU

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não renumeradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil, mas namorado mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: Basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinicius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhar quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosque enluarado, ruas de sonhos ou musicais da metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de o seu bem ser paquerado.

Não tem namorado quem ama sem gostar, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim-de-semana, na madrugada ou no meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a roupa mais leve e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fadas. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.

.o inominável.

Publicado: 3 de novembro de 2009 em Uncategorized

4dd02ceaf1cf5a61359c7f26548f2c82829181e2Chega um ponto da vida que a gente pára para pensar. É hora de fazer um balanço do que viveu; de literalmente discutir relação com você mesma. Geralmente a gente acha que tudo que viveu não serviu para nada. Arrependemos-nos de uma penca de coisas. Achamos que fizemos tudo errado. Lamentamos o tempo que não volta atrás. Choramos pelo que poderia ter sido e não foi.

Parece que tudo o que a gente quer é estabilidade. Ter um bom emprego. Ganhar bem. Ter uma família estruturada e “normal” (se é que isso é possível). Ter um parceiro bonito, inteligente, fiel e educado (será que existe?). Mas no fim, essa não é bem a verdade.

No fundo, se todos conseguíssemos os elementos citados acima, nunca estaríamos satisfeitos. Acabaríamos dispensando toda a estabilidade do mundo para viver uma aventura mundana. É isso mesmo. O ser humano nunca se conforma. Ele sempre quer mais e mais. Tem fome e essa fome nunca passa. E é essa a graça de viver, pois, se conseguíssemos tudo que quiséssemos e os sonhos se acabassem, não teria mais sentido a vida. Porque viver é buscar. Buscar algo oculto, que não se conhece. O inominável. É buscar preencher o buraco de nossa existência.

.flores.

Publicado: 2 de novembro de 2009 em Uncategorized

.confesso que a noite de sábado chegou cheia de lembranças. lembranças saudosas e tristes. com elas, vieram umas lágrimas. resolvi (não sei por que cargas d’água) então ler uns poemas de Drummond.ah, meu poeta! poderia agradecer todos os dias a deus a tua passada existencia! fico sem palavras com tuas palavras. elas aquecem meu coração. foi assim que no meu domingo, resolvi comprar flores. crisântemos vermelhos, para simbolizar minha paixão pela vida. foi assim que resolvi caminhar sobre flautas, sentir a leveza das borboletas e fazer tudo diferente.

.crônica dominical.

Publicado: 1 de novembro de 2009 em Uncategorized

Acordo pela manhã. Só pela atmosfera do quarto já sei que é domingo. Tudo está preguiçoso. Bocejo. Vontade de continuar na cama até a segunda. Levanto e depois do café vou levar o cachorro para passear na vizinhança. Domingo é domingo. Há aqueles que vem chegando das farras. Mulheres com as sandálias nas mãos, homens sem blusa. Resquícios de um sábado a noite. Do outro lado da rua, crianças jogam bola. Vejo o ônibus passar lotado. Gente do subúrbio que lota as praias  da cidade, aproveitando a passagem mais barata. Mas se domingo é dia de farra, também é o dia do senhor e, na minha caminhada, vejo casais idosos passarem a caminho da Igreja.

Domingo é dia em que a primeira refeição  geralmente é o almoço. Frango assado, baião e paçoca acompanhado de uma coca estupidamente gelada e gaseificada. Depois voltamos ao aconchego do quarto para fazer a sesta. Lá pelas quatro, tomamos um café com bolo de milho. Receita da avó. O futebol começa na televisão. O pai da gente monopoliza o aparelho. Sem coragem, domingo não é dia de estudos. Apesar de milhares de coisas para fazer, não há nenhuma coragem para executá-las.  Então passamos o tempo escutando música, conversando coisas sem sentido pelo MSN até chegar a hora dos programas de auditório.

 O domingo transcorre preguiçoso, lento e sem novidades. Domingo é triste. É dia em que se fica sabendo do todas as desgraças da semana. Quando a noite chega, aparece a depressão dominical. Quem dera surgisse um convite para uma programa inocente e juvenil? Não. Domingo é dia de aguentar a visita das tias chatas. Dia de dormir mais cedo, pra ver se chega logo a esperada segunda-feira.